Nova espécie de 'cão-urso' extinto é identificada na Espanha
Nova espécie de 'cão-urso' extinto, Paludocyon moyasolai, é identificada na Espanha a partir de fóssil de 16 milhões de anos. Detalhes da dentição e ambiente do Mioceno são revelados.

Pesquisadores descreveram uma nova espécie de "cão-urso", um grupo extinto de mamíferos carnívoros com características entre cães e ursos, a partir da reanálise de um fóssil descoberto na Espanha há mais de trinta anos. Batizado de Paludocyon moyasolai, o animal habitou a região da atual Catalunha há aproximadamente 16 milhões de anos, em um cenário de lagos e áreas pantanosas.
A descoberta, publicada no Journal of Mammalian Evolution, baseou-se em um crânio parcialmente preservado e um molar inferior isolado, escavados na década de 1990 no sítio paleontológico de Els Casots. Apesar de o material ter sido coletado há décadas, a identificação de uma espécie até então desconhecida só foi possível com estudos mais aprofundados sobre a família Amphicyonidae, popularmente conhecida como "cães-ursos".
## Detalhes anatômicos revelam novidade
O crânio, embora deformado pela fossilização, apresentava boa parte da dentição intacta, permitindo uma análise detalhada. A comparação com fósseis de outras espécies encontradas na Europa e América do Norte evidenciou uma combinação única de características anatômicas. O segundo molar superior era proporcionalmente mais largo do que o observado em outras espécies do gênero Paludocyon, e o terceiro molar possuía um tamanho incomum. Na paleontologia, a dentição é crucial para a identificação de espécies, a reconstrução de relações evolutivas e a inferência de hábitos alimentares.
É importante notar que os "cães-ursos" não são ancestrais diretos de cães ou ursos modernos. Eles pertenciam à família Amphicyonidae, que surgiu há cerca de 40 milhões de anos e desapareceu há aproximadamente 7 milhões de anos. Embora compartilhassem um ancestral comum distante com as linhagens atuais, seguiram um caminho evolutivo próprio.
## Um ecossistema do Mioceno
A nova espécie parece ter sido menor e mais ágil que alguns de seus parentes mais conhecidos. A estrutura de seus dentes sugere uma dieta predominantemente carnívora, com capacidade de consumir não apenas carne, mas também partes mais resistentes das presas, como ossos. O ambiente onde o Paludocyon moyasolai viveu, na região de Els Casots, era composto por lagos rasos, pântanos e vegetação exuberante, sob um clima mais quente e úmido do que o atual. Este ecossistema do Mioceno abrigava uma rica diversidade de vertebrados, incluindo herbívoros de pequeno porte, crocodilos, mustelídeos e outros carnívoros primitivos.
## Legado científico e homenagem
A reanálise dos fósseis não apenas descreveu a nova espécie, mas também reforçou a posição do gênero Paludocyon como um grupo distinto dentro da família Amphicyonidae. Os resultados podem levar à revisão de classificações anteriores. O nome da espécie, Paludocyon moyasolai, é uma homenagem ao paleontólogo Salvador Moyà-Solà, reconhecido por seus estudos sobre mamíferos fósseis e por sua participação nas primeiras escavações em Els Casots. O termo "Paludocyon" deriva do latim, significando "cão do pântano", em referência ao habitat do animal.