Memórias ruins fragmentam o sono, aponta estudo com camundongos

Estudo com camundongos revela que memórias negativas ativam circuitos cerebrais de alerta durante o sono, fragmentando o descanso e prejudicando sua qualidade.

Memórias ruins fragmentam o sono, aponta estudo com camundongos

Um estudo recente publicado na revista científica Science lança luz sobre a complexa relação entre memória e sono, investigando como lembranças negativas acumuladas durante o dia podem perturbar o descanso noturno. A pesquisa, conduzida por uma equipe de cientistas chineses, utilizou camundongos para mapear a atividade cerebral durante o sono, descobrindo que memórias recentes, especialmente aquelas associadas a emoções negativas, resultam em um sono mais superficial e em microdespertares frequentes.

## Mecanismos Cerebrais em Ação

Os pesquisadores focaram nos engramas, que são conjuntos de neurônios responsáveis pela codificação e recuperação de memórias. Ao rotular esses engramas em modelos animais, foi possível observar como a atividade neural se correlaciona com a formação de memórias e o estado de sono. O estudo identificou um circuito neural específico, conectando o hipocampo – crucial para a formação de memórias – à amígdala basolateral, centro de processamento emocional. A amígdala, ao ser ativada por memórias negativas, parece desencadear um estado de alerta no cérebro, mesmo durante o sono.

## O Impacto das Emoções Negativas

De acordo com a pesquisa, a ativação de engramas associados a experiências negativas durante o sono não REM pode gerar picos de atividade cerebral, facilitando a transição para estados de vigília ou microdespertares. Especialistas explicam que memórias negativas podem manter o cérebro em um "modo de defesa", acionando neurotransmissores de alerta e fragmentando o descanso. Isso impede que o sono se aprofunde, prejudicando seus benefícios restauradores.

## Metodologia Inovadora e Aplicações Futuras

Para demonstrar esses mecanismos, os cientistas expuseram grupos de camundongos a experiências positivas e negativas. O grupo submetido a situações estressantes, como choques associados a um som, apresentou um sono mais fragmentado ao ouvir o som durante o período de descanso, mesmo sem a ocorrência dos choques. A equipe conseguiu monitorar a ativação dos neurônios de memória através de proteínas fluorescentes e registrar os padrões de sono dos animais com eletrodos. Embora a pesquisa envolva manipulações genéticas e neuronais que não têm equivalentes diretos na prática clínica humana, ela estabelece um novo padrão metodológico para estudos sobre a interface entre memória e sono e pode abrir caminhos para futuras investigações sobre distúrbios do sono relacionados ao estresse e à ansiedade em humanos.