Juno completa 10 anos em órbita de Júpiter: o que a missão já revelou

Missão Juno da NASA celebra 10 anos em órbita de Júpiter. Lançada em 2011, a sonda estuda o gigante gasoso com nove instrumentos e revelou segredos sobre sua atmosfera e campo magnético.

Juno completa 10 anos em órbita de Júpiter: o que a missão já revelou

A sonda Juno, da NASA, alcançou um marco notável em sua exploração de Júpiter: 10 anos em órbita ao redor do gigante gasoso. Lançada em 5 de agosto de 2011, a missão, operada pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), entrou na órbita joviana em 5 de julho de 2016, inaugurando uma era de investigações detalhadas sobre a atmosfera, estrutura interna e campo magnético do maior planeta do Sistema Solar.

## Uma Nova Era de Exploração Orbital

Diferentemente de antecessoras que apenas sobrevoavam Júpiter, a Juno foi projetada para uma permanência orbital prolongada. Essa configuração permite observações contínuas e de alta precisão. A espaçonave é equipada com nove instrumentos científicos sofisticados, capazes de analisar em profundidade a atmosfera, o campo gravitacional, o campo magnético e o ambiente de radiação extremo que cerca o planeta. Entre os objetivos primordiais estão a quantificação de água e amônia nas camadas profundas da atmosfera e a elucidação da complexa estrutura interna de Júpiter.

## A Longa Jornada até Júpiter

A jornada da Juno até seu destino começou com o lançamento de Cabo Canaveral, na Flórida, a bordo de um foguete Atlas V 551. A viagem interplanetária, que durou quase quatro anos, incluiu manobras cruciais de correção de trajetória e uma assistência gravitacional da Terra em 2013. O momento mais crítico, no entanto, foi a manobra de inserção orbital. Acionando seu motor principal por aproximadamente 35 minutos, a sonda foi capturada pela gravidade de Júpiter em 5 de julho de 2016, às 00h53 (horário de Brasília), selando seu destino no sistema joviano.

Inicialmente, a Juno foi posicionada em uma órbita polar altamente elíptica, com um período de 53 dias. Essa trajetória permitia sobrevoos regulares sobre os polos, regiões de particular interesse para o estudo do campo magnético joviano. Ao longo dos anos, interações gravitacionais com as luas de Júpiter, especialmente Ganimedes, alteraram sua órbita. Atualmente, a Juno completa uma volta ao redor do planeta a cada 33 dias, tendo realizado 76 sobrevoos próximos (perijoves) que possibilitam a coleta contínua de dados valiosos.

## Enfrentando um Ambiente Hostil

Júpiter é um mundo colossal, ostentando 101 luas confirmadas, incluindo as quatro descobertas por Galileu Galilei: Io, Europa, Ganimedes e Calisto. Ganimedes, a maior lua do Sistema Solar, é inclusive mais volumosa que o planeta Mercúrio. A bordo da Juno, a exploração ocorre em um ambiente de radiação intensa, um dos maiores desafios, capaz de danificar equipamentos eletrônicos e instrumentos. Para mitigar esses riscos, a espaçonave foi construída com uma blindagem especial, demonstrando notável resiliência ao longo de sua operação.

Os nove instrumentos a bordo da Juno trabalham em sinergia para desvendar os mistérios de Júpiter. O Radiômetro de Micro-ondas (MWR) investiga as profundezas atmosféricas, o Mapeador Auroral Infravermelho (JIRAM) registra auroras e analisa a atmosfera superior, enquanto o Magnetômetro (MAG) mede o poderoso campo magnético. O Experimento de Ciência da Gravidade (GS) mapeia a distribuição de massa interna, e os instrumentos JADE e JEDI estudam as partículas energéticas nas auroras. O Sensor de Ondas de Rádio e Plasma (Waves) detecta emissões de rádio e plasma, e a JunoCam captura imagens impressionantes, revelando a beleza e a complexidade do gigante gasoso.