Estrela devora planeta e prepara 'prato principal' cósmico

Estrela TOI-5882 demonstra ter engolido um planeta devido ao excesso de lítio em sua luz. Anã marrom vizinha, TOI-5882-b, é a próxima a ser devorada.

Estrela devora planeta e prepara 'prato principal' cósmico

Cientistas observam um fenômeno cósmico que em breve atingirá nosso próprio Sistema Solar: estrelas devorando planetas. Na estrela TOI-5882, astrônomos detectaram um excesso de lítio em sua luz, um forte indício de que ela engoliu um de seus planetas. Este evento, conhecido como engolfamento planetário, ocorre quando um planeta é atraído para a atmosfera de sua estrela, sendo desintegrado e absorvido.

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O engolfamento planetário deixa rastros químicos na luz das estrelas, funcionando como 'migalhas cósmicas' para os astrônomos. A TOI-5882, com massa 30% maior que a do Sol, chamou a atenção por abrigar uma anã marrom gigante, a TOI-5882-b, em órbita muito próxima. Essa anã marrom, com 22 vezes a massa de Júpiter, tem o potencial de desestabilizar órbitas planetárias.

A análise da luz da TOI-5882 revelou uma quantidade anormal de lítio. Estrelas jovens e muito velhas podem naturalmente ter altos níveis de lítio, mas a TOI-5882 não se encaixa nessas categorias, tornando a hipótese de ter devorado um planeta a mais provável. Acredita-se que a anã marrom TOI-5882-b, pela sua proximidade e massa, pode ter lançado um planeta em rota de colisão com a estrela.

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O planeta perdido, cuja composição pode variar de uma super-Terra rochosa a um mundo semelhante a Netuno, teria sido arremessado contra a estrela nos últimos dois bilhões de anos. Sua absorção pela estrela foi rápida, possivelmente em dias ou semanas, mas os vestígios químicos podem perdurar por bilhões de anos.

O estudo, publicado em The Astrophysical Journal, conecta áreas distintas da astronomia, oferecendo insights sobre estrelas e exoplanetas. A anã marrom TOI-5882-b, que orbita a estrela a cada semana, é a próxima 'refeição'. Embora estimativas anteriores apontassem para sua absorção em cerca de 110 milhões de anos, o evento pode ocorrer antes do previsto. A pesquisa, liderada por Brooke Kotten e com contribuições de Melinda Soares-Furtado e Ritvik Narayan, destaca a natureza dinâmica e, por vezes, destrutiva dos sistemas estelares.