Cientista Brasileira Ganha Prêmio Internacional por Ligação entre Psicoses e Imunidade
Neurocientista brasileira Fabiana Corsi Zuelli ganha prêmio internacional por pesquisa que liga psicoses a mecanismos imunológicos, abrindo novas frentes de tratamento.

A neurocientista brasileira Fabiana Corsi Zuelli foi laureada com um prestigioso prêmio internacional por sua pesquisa inovadora que desmistifica a relação entre psicoses e o sistema imunológico. A distinção, concedida pelo USERN Prize, reconheceu o trabalho de Zuelli entre 90 mil inscritos, destacando a qualidade da ciência produzida em universidades públicas do Brasil.
## Imunopsiquiatria: Uma Nova Abordagem para Transtornos Mentais
O estudo premiado de Fabiana Corsi Zuelli, que tem 35 anos, propõe uma nova perspectiva sobre transtornos mentais como a esquizofrenia, argumentando que eles não são meramente condições cerebrais, mas sim influenciados por mecanismos imunológicos. Essa abordagem se baseia em evidências genéticas e epidemiológicas sólidas, com o potencial de transformar o tratamento de pacientes que não respondem às terapias convencionais. Estima-se que até 30% dos pacientes medicados com antipsicóticos tradicionais não apresentem melhora, uma dificuldade que pode estar ligada a fatores inflamatórios no organismo.
## Inspiração Pessoal e Visão de Futuro
A trajetória de Zuelli na área foi impulsionada por uma vivência pessoal: sua mãe cuidou de uma irmã com esquizofrenia por muitos anos. Essa experiência a motivou a buscar tratamentos mais eficazes e personalizados. Atualmente, a pesquisadora trabalha no desenvolvimento de ensaios clínicos para identificar pacientes com maior vulnerabilidade imunológica, visando testar medicações mais específicas que possam aliviar sintomas como fadiga e anedonia (perda de prazer).
## Mulheres na Ciência e o Legado Brasileiro
Fabiana Corsi Zuelli, que cursou enfermagem na USP e hoje realiza pós-doutorado em Oxford, no Reino Unido, também se dedica a incentivar a próxima geração de cientistas, com especial atenção às mulheres. Ela ressalta a sobrecarga histórica de cuidados que recai sobre elas e a necessidade de diversificar as vozes na ciência. Apesar dos desafios, ela encoraja jovens aspirantes a não desistirem de seus sonhos, afirmando que os obstáculos, embora reais, podem ser superados. O prêmio é visto por ela não apenas como um reconhecimento individual, mas como um símbolo do potencial científico brasileiro no cenário global.