Brasileiro de Sinop colabora em projeto internacional sobre múmia Ötzi
Pesquisador brasileiro Cícero Moraes aplica tecnologia 3D em estudo inédito sobre a múmia Ötzi, contribuindo para a compreensão da vida pré-histórica.

O renomado pesquisador brasileiro Cícero Moraes, especialista em reconstruções faciais forenses e tecnologias científicas, integra um projeto internacional focado em Ötzi, a múmia natural mais famosa do mundo. Com cerca de 5,3 mil anos, Ötzi é um dos achados arqueológicos mais significativos da história, preservado pelo gelo nos Alpes. Sua descoberta em 1991 revelou detalhes sobre a vida na Idade do Cobre, tornando-se um indivíduo central para pesquisas em arqueologia, medicina, antropologia e genética.
Moraes, que colabora com a equipe italiana Arc-Team desde 2011, explica que o projeto atual não envolve uma reconstrução facial, sua área de maior reconhecimento, mas sim a aplicação de tecnologias tridimensionais desenvolvidas por ele. Essas ferramentas, originalmente voltadas para planejamento cirúrgico e documentação científica, foram adaptadas para o estudo da múmia. O pesquisador destacou que o trabalho unifica conceitos visuais e estruturais, resultando em uma abordagem inovadora.
"Trabalho em parceria com a equipe italiana Arc-Team desde 2011. Foram eles que me contrataram para reconstruir a face de Santo Antônio e para outros projetos de grande relevância, como a reconstrução 3D de um castelo medieval, sendo ambos os trabalhos revisados por pares e publicados em journals internacionais. Eles frequentemente me enviam novas demandas", afirmou Moraes.
O ano de 2026 tem sido particularmente produtivo para o pesquisador brasileiro em suas colaborações internacionais. Recentemente, ele participou da reconstrução da face de um homem pré-histórico exposto no MegaMuseo, na Itália. Agora, seu currículo se enriquece com a contribuição para o estudo de Ötzi, um ícone da arqueologia mundial.
Embora os detalhes específicos do projeto com Ötzi ainda estejam em fase final de validação técnica e acadêmica, Moraes adiantou que a tecnologia empregada é replicável e poderá ser utilizada por profissionais das áreas da saúde e arqueologia para documentação tridimensional. A expectativa é que o trabalho seja apresentado ao público em breve.
Ötzi, encontrado em 1991, permanece conservado em uma câmara climatizada no Museu Arqueológico do Tirol do Sul, na Itália. Pesquisas indicam que ele morreu por volta dos 46 anos, apresentava sinais de desgaste físico e foi vítima de um homicídio. Seu DNA foi sequenciado, fornecendo avanços significativos no conhecimento sobre as populações europeias pré-históricas.