UPAs do DF: Pacientes esperam mais de 11 horas por atendimento
MPDFT revela que pacientes esperam em média mais de 11 horas por atendimento nas UPAs do DF. Em algumas unidades, a espera ultrapassa 13 horas.

Pacientes nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do Distrito Federal enfrentam longas esperas por atendimento, com uma média de 11 horas em 12 das 13 unidades existentes. A informação é de um painel divulgado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).
A UPA de Brazlândia registra o tempo médio de espera mais elevado, ultrapassando 13 horas. Em seguida, aparecem as unidades do Núcleo Bandeirante (12h30min), Riacho Fundo II (12h19min) e Planaltina (12h18min). A unidade com o menor tempo de espera é a do Recanto das Emas, que ainda assim chega a uma média de 10 horas.
O tempo de espera contrasta com a regulação do Sistema Único de Saúde (SUS), que prevê que o tempo máximo de permanência em uma UPA não deve exceder 24 horas, com encaminhamento para hospitalização caso necessário. No entanto, dados indicam que o tempo médio de permanência total é de 23h25min, sendo que mais da metade desse período, cerca de 11 horas e 36 minutos, é gasto apenas aguardando atendimento.
De acordo com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES), o funcionamento das UPAs segue a classificação de risco. Pacientes com indicação vermelha (emergência) ou laranja (muito urgente) deveriam ser atendidos imediatamente ou em até 10 minutos, respectivamente. Amarelo (urgente) teria até uma hora, verde (pouco urgente) até seis horas e azul (não urgente) até 12 horas.
Contudo, a prática revela que apenas os pacientes classificados como azul têm o tempo de espera respeitado. Pacientes com classificações de risco mais elevadas, como vermelha e laranja, chegam a aguardar mais de 10 horas, enquanto os amarelos e verdes esperam, em média, mais de 12 e 10 horas, respectivamente.
Em um incidente trágico ocorrido em 20 de junho, um homem faleceu enquanto aguardava atendimento em uma cadeira de rodas na UPA do Recanto das Emas. Uma testemunha relatou que o óbito foi constatado após um dos presentes notar que o senhor não apresentava sinais vitais e uma enfermeira confirmar a morte.
O Metrópoles tentou contato com o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges), responsável pela administração das UPAs, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.