Rio: Operação na Orla Apreende 108 Bebidas e 136 Alimentos

Operação 'Tolerância Zero' do Rio apreende alimentos e bebidas na orla da Zona Sul e gera protesto de ambulantes que bloquearam a Avenida Atlântica.

Rio: Operação na Orla Apreende 108 Bebidas e 136 Alimentos

A Prefeitura do Rio de Janeiro iniciou a operação "Tolerância Zero" na orla da Zona Sul com o objetivo de intensificar a fiscalização sobre o comércio ambulante. No primeiro dia da ação, 88 ambulantes foram abordados, resultando na apreensão de 108 bebidas e 136 alimentos que não possuíam comprovação de procedência ou nota fiscal. Além disso, foram recolhidos cinco triciclos, 11 carrocinhas e três veículos utilizados para depósito irregular de mercadorias.

## Intensificação da Fiscalização e Protesto

A presença ostensiva dos fiscais, que começou com a instalação de grades no acesso à praia entre o Leme e o Leblon desde a madrugada, resultou em um esvaziamento do comércio informal em praias como Copacabana. A medida, que visa combater a desordem e a disputa por pontos na orla, culminou em um protesto de camelôs no final da tarde. Para expressar seu descontentamento e defender o direito ao trabalho, os vendedores bloquearam duas faixas da Avenida Atlântica, em Copacabana.

O plano municipal prevê o emprego de 160 agentes em regime de plantão 24 horas, com 69 pontos de monitoramento. A operação intensificou a fiscalização em pontos estratégicos, com duplas de agentes atuando nos acessos à orla e em vias importantes. A maior concentração de fiscais foi observada em Copacabana, com viaturas estacionadas em frente ao Copacabana Palace, servindo como uma base de operações. As apreensões ocorreram ao longo do dia, com três caminhões sendo utilizados para transportar os produtos recolhidos.

## Reações e Impacto no Comércio Informal

O protesto dos camelôs, que já havia ocorrido na véspera, foi acompanhado pela Polícia Militar e transcorreu pacificamente. Vendedores expressaram frustração com a proibição do trabalho e a falta de diálogo com o poder público. "O que queremos é poder trabalhar de forma organizada", declarou um vendedor. Houve casos de abordagens a vendedores de comida, com recolhimento de produtos, e a proibição do uso de gás ou carvão para espetinhos e outros alimentos, conforme decreto anterior.

Alguns ambulantes tentaram negociar com os fiscais, mas muitos relataram a impossibilidade de trabalhar no dia. Por outro lado, vendedores que já possuíam licença, como um vendedor de mate com 20 anos de atuação em Ipanema, continuaram suas atividades. Ele mencionou que a atividade foi reconhecida como patrimônio cultural carioca em 2012 e defendeu a legalização dos demais ambulantes. A operação busca trazer mais ordem à orla, um dos cartões-postais mais conhecidos do Rio de Janeiro.