Rio de Janeiro: Trânsito Analógico Domina Era de Inteligência Artificial
Rio de Janeiro enfrenta grave defasagem em seu sistema de controle de trânsito, que ainda opera com tecnologia analógica obsoleta, enquanto o mundo avança com Inteligência Artificial.

A gestão do tráfego no Rio de Janeiro permanece significativamente defasada em relação às tecnologias modernas, operando majoritariamente com sistemas analógicos que dependem da intervenção humana. Enquanto cidades ao redor do mundo e outras metrópoles brasileiras já se beneficiam do controle de trânsito por Inteligência Artificial (IA) para mitigar congestionamentos, a capital fluminense ainda se apoia em infraestrutura instalada entre 2009 e 2012.
## Defasagem Tecnológica e Imprevistos
O sistema atual, operado pelo Centro de Operações e Resiliência (COR), utiliza dados estatísticos e contagem de veículos, principalmente por radares de infração, para programar os intervalos dos semáforos com base no movimento esperado. Essa abordagem, sem recursos de IA, torna o sistema incapaz de se adaptar a situações imprevistas em tempo real. Um incidente como o tombamento de uma carreta em Botafogo no final de junho, que causou transtornos generalizados na Zona Sul e reflexos no Centro, exemplifica a lentidão na resposta. A identificação de problemas, como acidentes, depende da análise visual por câmeras ou de alertas externos, retardando a atuação de equipes de socorro e o ajuste da sinalização para minimizar impactos.
Especialistas apontam a necessidade de investimentos em tecnologia 5G para uma transmissão de dados mais consistente e um controle efetivo. A IA, segundo engenheiros, permite uma gestão adaptativa que simula milhares de cenários e conta veículos em tempo real, algo inexistente no Rio. A ausência dessa tecnologia pode, inclusive, contribuir para o aumento da poluição, com mais tempo de emissão de gases carbônicos por veículos parados.
## Busca por Soluções e Inovações Passadas
A prefeitura do Rio iniciou em junho um processo de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para buscar soluções tecnológicas para os 3.121 cruzamentos com semáforos. Seis empresas responderam ao edital, que visa um diagnóstico da situação atual, proposição de soluções, indicação de financiamento e a melhor forma de implantação, seja por concessão ou Parceria Público-Privada (PPP). O estudo também abordará alternativas para proteger os sinais contra furtos e vandalismo. As primeiras conclusões serão apresentadas em breve, com a expectativa de que os relatórios finais, previstos para agosto, sirvam de base para uma futura concorrência pública.
Em 2016, durante as Olimpíadas, houve uma tentativa de modernização com o sistema de “trânsito livre” para ônibus de BRT, priorizando o transporte de massa nos corredores Transcarioca e Transoeste. No entanto, a manutenção desses equipamentos foi negligenciada em gestões posteriores, levando-os à sucata. A busca atual por modernização, embora com um processo mais estruturado, ainda não possui um cronograma definido para a implementação nas ruas.