Rio de Janeiro: Crítica à Romantização da Ilegalidade e Apoio à Ordem

Artigo critica a romantização da ilegalidade no Rio de Janeiro e defende políticas de Tolerância Zero para combater o comércio irregular e a desordem, visando a organização urbana e a segurança.

Rio de Janeiro: Crítica à Romantização da Ilegalidade e Apoio à Ordem

A cidade do Rio de Janeiro enfrenta um debate acalorado sobre a organização urbana e a persistência da ilegalidade, especialmente nas áreas turísticas. Em um artigo de opinião, Quintino Gomes Freire argumenta que a capital fluminense necessita de uma aplicação mais rigorosa das leis, em contraposição à tendência de romantizar a desordem e a clandestinidade como parte da identidade carioca.

O autor destaca que, embora muitos moradores reclamem da desorganização urbana, críticas surgem quando medidas são tomadas para coibir atividades irregulares. A cantilena de que "podia estar roubando" ou "podia estar matando" é frequentemente usada para justificar a tolerância com a atividade de ambulantes clandestinos, que, segundo o texto, frequentemente se conecta ao crime organizado e à venda de produtos falsificados ou roubados.

## Choque de Ordem nas Praias

A política de "Tolerância Zero" implementada pelo prefeito Eduardo Cavaliere nas praias da Zona Sul é apresentada como um exemplo de busca por ordem. A iniciativa visa fazer cumprir regras existentes e promover uma reorganização na orla, do Leme ao Leblon. O artigo critica a ideia de que a fiscalização de ambulantes seja uma questão que fuja à alçada municipal, como sugerido por alguns órgãos do Ministério Público Federal, que, na visão do autor, parecem priorizar a proteção de atividades ilegais em detrimento da ordem pública e da segurança dos cidadãos. O texto também aponta a atuação do MPF em outras questões urbanas, como a preservação de bens tombados, como curiosa e questionável.

## Ampliação e Riscos da Clandestinidade

Embora haja concordância com a crítica de que a "Tolerância Zero" deveria abranger toda a cidade, o artigo defende que toda grande mudança começa com um primeiro passo, priorizando áreas de maior impacto turístico e econômico. O Centro Histórico também é apontado como uma região que necessita de atenção especial. A resistência à fiscalização é atribuída, em parte, ao receio de perder fontes de renda informais, como a venda de alimentos preparados em condições de higiene duvidosas e sem controle sanitário. São mencionados os riscos de acidentes com fogo e utensílios cortantes, além da possibilidade de intoxicações alimentares, em contraste com a oferta de produtos em quiosques regulamentados.

O autor conclui que, embora em períodos de crise econômica a tolerância com atividades informais possa ter sido compreensível, o cenário atual demanda o cumprimento das leis. A atividade irregular, por definição, é proibida, e a manutenção da ordem é vista como essencial para a cidade. A comparação é feita com o período da pandemia de Covid-19, quando houve maior margem para políticas de transição, o que, segundo o texto, não se sustenta mais diante da normalização da economia e da legislação vigente.