Prédio Histórico do IML no Rio Sofre com Abandono e Deterioração

Prédio histórico do IML no Rio de Janeiro está em avançado estado de abandono, com risco de desabamento e ameaça a vizinhos. Acervo documental da ditadura militar está sendo retirado, mas o futuro do imóvel é incerto.

Prédio Histórico do IML no Rio Sofre com Abandono e Deterioração

O antigo prédio do Instituto Médico Legal (IML) na Rua dos Inválidos, 148, na Lapa, Rio de Janeiro, tornou-se um retrato do abandono e da deterioração. O imóvel, que abrigou o IML por cerca de 60 anos até 2009, quando os serviços foram transferidos, guarda um acervo documental significativo, incluindo registros da ditadura militar. Desde sua desativação, a falta de manutenção, invasões e a ação do tempo transformaram o edifício de cinco mil metros quadrados em um cenário de risco.

## Estado Crítico e Riscos para Vizinhança

O local apresenta paredes se desfazendo, janelas quebradas, muros pichados, mato alto, entulho e poeira. Uma placa de aproximadamente cinco metros quadrados ameaça cair de uma parede lateral, gerando apreensão entre os moradores de um prédio vizinho. Fragmentos do reboco despencam diariamente, e um bloco que aparenta ser de uma parede inteira está descolando, com risco iminente de queda. Moradores relatam telhas quebradas e receio de tragédias, especialmente durante chuvas fortes, levando-os a mudar móveis de lugar por segurança.

## Patrimônio Histórico em Risco

O imóvel, pertencente à União e cedido ao estado do Rio, está em processo de reversão ao patrimônio federal. Uma decisão da Justiça Federal determinou que a União tome medidas para concluir essa reversão. A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) aguarda a conclusão da retirada de toda a documentação histórica antes de efetivar a posse, mas ainda não há planos definidos para o destino do prédio. O acervo documental, que inclui informações de agentes das ditaduras Vargas e Militar, laudos cadavéricos e livros de óbitos, começou a ser retirado em maio por uma força-tarefa. Apesar de três etapas de recolhimento já terem sido realizadas, o Ministério Público Federal (MPF) acompanha o processo e aponta que mais da metade do acervo ainda precisa ser resgatado. O Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (Aperj) estima que os trabalhos sejam concluídos até o fim de agosto.

O procurador da República Julio Araujo considera o cenário atual mais otimista, com os trabalhos caminhando para uma resolução, mas ressalta a necessidade de agilizar o processo para garantir a recuperação completa do patrimônio documental. A Polícia Civil informa que custeia os serviços de vigilância no local, e o acesso principal, antes aberto, foi recentemente fechado, com seguranças guarnecendo o espaço, o que ajudou a conter invasões recentes.