Obras de Complexo Viário em João Pessoa são questionadas pelo Ministério Público
Ministério Público de Contas pede suspensão de obras do Complexo Viário Beira Rio em João Pessoa por irregularidades ambientais, urbanísticas e sociais.

O Ministério Público de Contas (MPC) solicitou ao Tribunal de Contas da Paraíba (TCE-PB) a suspensão imediata das obras do Complexo Viário Beira Rio, localizado no bairro Altiplano, em João Pessoa. A alegação principal é que o empreendimento, com um investimento previsto de R$ 128,46 milhões apenas no primeiro lote, avançou para a fase de execução sem o cumprimento de requisitos essenciais nas áreas ambiental, urbanística e social.
## Questionamentos Ambientais e Urbanísticos
A representação do MPC aponta cinco eixos de preocupação. Primeiramente, o licenciamento ambiental é considerado incompleto, pois o município possui apenas a Licença Prévia (LP), que atesta apenas a viabilidade preliminar e não autoriza o início das construções. A Licença de Instalação (LI) ainda não foi emitida, conforme admitido pelo próprio consórcio responsável pela obra. Outro ponto crítico é o impacto intermunicipal previsto com a ampliação de um pontilhão sobre o Rio Jaguaribe, que delimita João Pessoa e Cabedelo. O MPC exige a manifestação formal da Superintendência Administrativa do Meio Ambiente da Paraíba (Sudema) para definir a competência de licenciamento e evitar ilegalidades. A ausência de um Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) formalmente aprovado e divulgado também é criticada, uma vez que a administração municipal teria reconhecido a falta deste instrumento urbanístico, apesar de tentativas de suprir a demanda com planos de trânsito ou laudos de vizinhança, considerados insuficientes pelo Estatuto da Cidade.
## Impactos Sociais e Financeiros
Adicionalmente, o MPC levanta a questão da vulnerabilidade social e das desapropriações. O órgão afirma que o município não apresentou um diagnóstico socioeconômico nem um cadastramento prévio de famílias de baixa renda nas áreas afetadas por decretos expropriatórios, o que é exigido por lei federal para assegurar medidas compensatórias ou reassentamento. A falta de audiências públicas específicas sobre a magnitude da obra também é um ponto de questionamento, pois impediria a participação social efetiva na discussão sobre os impactos cumulativos de tráfego, drenagem e paisagem. O pedido de medida cautelar sugere uma "suspensão calibrada", que interromperia atividades como terraplenagem, demolições e supressão de vegetação, permitindo apenas estudos não invasivos e medidas de segurança. O MPC alerta ainda para o risco financeiro ao erário público, com a possibilidade de paralisações judiciais futuras e custos adicionais com equipamentos ociosos caso as obras prossigam sem as devidas licenças.
O caso foi encaminhado ao conselheiro relator André Carlo Torres Pontes, que determinou análise técnica urgente pela auditoria do TCE. Paralelamente, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) agendou uma audiência extrajudicial para discutir a situação do complexo, envolvendo representantes do município, da Sudema e do consórcio.