Novo Atacadão em Campo Grande Gera Debate sobre Trânsito e Meio Ambiente
Novo Atacadão de 10,7 mil m² em Campo Grande prevê 150 empregos, mas EIV aponta impactos no trânsito e drenagem na APA do Lageado. Audiência pública em 13/08/2026 discutirá o projeto.

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, pode ganhar uma nova e grande unidade do Atacadão. O projeto, denominado Atacadão CG5, visa construir um hipermercado com área construída de 10.777,79 m² em um terreno de 23.160,47 m² no Bairro Tiradentes, na Avenida Ministro João Arinos. A previsão é que as obras sejam concluídas em dezembro de 2026.
O empreendimento, que se insere no modelo de "atacarejo" – uma combinação de atacado e varejo –, promete impulsionar a economia local com a geração estimada de 150 empregos diretos. O estudo de impacto de vizinhança (EIV) sugere que a nova loja atrairá consumidores em busca de preços competitivos, incluindo pequenos comerciantes e famílias que realizam compras em maior volume. Espera-se também que o projeto valorize os imóveis no entorno.
## Impacto no Trânsito e na Drenagem
No entanto, o projeto levanta preocupações significativas, especialmente em relação ao trânsito e à drenagem. O EIV estima um aumento de 1.252 viagens diárias, considerando consumidores, funcionários e operações de carga e descarga. A entrada principal será pela Avenida Ministro João Arinos, mas a Rua Soldado PM Reinaldo de Andrade, uma via adjacente, pode sofrer com fluxo instável e trânsito lento em horários de pico, operando "a plena carga".
A drenagem da área também é um ponto de atenção. O terreno localiza-se dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do Lageado, um importante sistema produtor de água para a cidade. O projeto prevê um sistema próprio de amortecimento de águas pluviais com capacidade de 1.080 m³, buscando mitigar o escoamento para as ruas, mas a presença de bocas de lobo assoreadas e a distribuição irregular da rede na área de influência exigem monitoramento.
## Questões Urbanísticas e Inconsistências
Um ponto que necessita de esclarecimento diz respeito à taxa de permeabilidade. O estudo indica uma exigência de 25%, mas o projeto oferece apenas 21,33% de área livre para absorção de chuva, um percentual inferior ao requerido. Adicionalmente, foram identificadas inconsistências nos dados apresentados, com diferentes números de vagas de estacionamento mencionadas em diferentes partes do documento, variando entre 238 e 284 vagas, sendo 68 delas cobertas. Essas discrepâncias precisam ser resolvidas antes da aprovação final.
A promissora nova unidade do Atacadão em Campo Grande tem seu futuro sujeito à análise do município e à participação popular. Uma audiência pública está agendada para 13 de agosto de 2026, onde a comunidade poderá debater o projeto. O encontro ocorrerá na Planurb, com transmissão simultânea pelo YouTube, buscando maior transparência e engajamento dos cidadãos nas decisões que impactarão a cidade.