Mães relatam angústia com paralisação de terapias para autistas em Roraima
Mães em Roraima expressam desespero com a paralisação das terapias no Teamarr, centro para autistas. A interrupção, após exoneração de servidores, gera medo de retrocesso no desenvolvimento de crianças.

A paralisação das atividades no Centro de Acolhimento ao Autista (Teamarr), em Boa Vista, Roraima, gerou profunda angústia e apreensão entre familiares de cerca de 1.400 jovens atendidos pelo programa. A interrupção das terapias, ocorrida sem aviso prévio para muitos, levanta temores sobre a perda de habilidades e o retrocesso no desenvolvimento de crianças com autismo.
O esvaziamento do prédio, com a retirada de servidores comissionados e materiais lúdicos, aconteceu após o presidente da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), Jorge Everton, exonerar funcionários em 24 de junho. Embora a ALE-RR afirme que o programa passa por uma reorganização administrativa e que o recesso escolar já estava planejado, com previsão de retorno em 27 de julho, os pais expressam preocupação com a descontinuidade do tratamento.
Urbelande dos Prazeres, mãe de uma menina de 4 anos com autismo, relatou a dificuldade em conseguir uma vaga no Teamarr, que sua filha ocupou após quase um ano de espera. Ela teme que a pausa nas terapias comprometa o desenvolvimento da criança, que começou a socializar e a desenvolver novas habilidades nos últimos dois meses. "Não aceito que tirem isso dela", desabafou, destacando que a filha já pergunta pela "tia da terapia" e que a interrupção pode fazê-la retroceder.
A mãe descreveu como foi árduo o processo para que a filha socializasse, dado o quadro de saúde dela, que inclui hérnia diafragmática congênita e baixa imunidade. O Teamarr era o único local que oferecia o cuidado necessário, permitindo que a menina, antes restrita a idas de casa para o hospital, passasse a cantar, se interessar por cores e falar com as pessoas, algo que antes relutava em fazer, como olhar nos olhos.
A paralisação pegou muitos pais de surpresa, que souberam da notícia por meio de reportagens e redes sociais. A ALE-RR informou que está realizando um levantamento patrimonial e que o programa deve retomar as atividades. No entanto, para pais como Urbelande, a falta de comunicação clara e a interrupção abrupta dos tratamentos, que consideram essenciais para a qualidade de vida de seus filhos, geram um cenário de incerteza e desespero, com a suspeita de que a situação esteja ligada a disputas políticas internas.
O vínculo entre paciente e terapeuta é considerado fundamental para o sucesso do tratamento de crianças com autismo. A saída de profissionais e a descontinuidade das atividades terapêuticas levantam sérias dúvidas sobre o impacto a longo prazo no desenvolvimento e bem-estar dessas crianças, que já enfrentam desafios diários e cujas famílias lutam arduamente por acesso a cuidados adequados.