Linha 4 do Metrô do Rio opera com metade da capacidade após 10 anos

Dez anos após sua inauguração, a Linha 4 do metrô do Rio de Janeiro opera com apenas 50% de sua capacidade, transportando um terço do público previsto. Falta de integração, pandemia e obras inacabadas são apontados como fatores.

Linha 4 do Metrô do Rio opera com metade da capacidade após 10 anos

Dez anos após sua inauguração, às vésperas dos Jogos Olímpicos de 2016, a Linha 4 do metrô do Rio de Janeiro opera com apenas metade de sua capacidade. O trajeto, que liga a Praça General Osório, em Ipanema, ao Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, transporta diariamente 101 mil passageiros em dias úteis, um número que representa apenas um terço do público estimado pelas autoridades na época da inauguração.

## Demanda abaixo do esperado e causas

Especialistas apontam que a queda na demanda, iniciada antes mesmo da pandemia de Covid-19, é um dos principais fatores. A pandemia intensificou a adoção do home office e o uso de aplicativos de transporte, impactando o fluxo de passageiros em todos os modais de transporte público. Além disso, a demanda original já era considerada superestimada, com ônibus fretados de condomínios da Barra migrando para o metrô, mas sem atingir o potencial máximo.

O presidente da concessionária MetrôRio, Guilherme Ramalho, destaca a falta de execução de um plano de racionalização que previa a revisão ou corte de linhas de ônibus municipais com trajetos coincidentes com a Linha 4. A ausência de uma tarifa única e integrada entre os diversos modais de transporte público também contribui para a baixa utilização, especialmente em estações como São Conrado (Rocinha), que deveria ter um movimento maior.

## Obras paralisadas e desafios futuros

Além da subutilização, a Linha 4 ainda apresenta um trajeto incompleto. A construção da sexta e última estação, na Gávea, foi retomada no ano passado após um acordo para viabilizar o projeto, que sofreu com a suspensão de repasses públicos e denúncias de superfaturamento em seu orçamento original. A extensão futura da linha até o terminal Alvorada é vista como uma possibilidade para atrair mais passageiros.

Apesar dos desafios, usuários habituais elogiam a rapidez e o conforto da Linha 4 em comparação com o trânsito da cidade ou o lotado transporte público de outras linhas. No entanto, o custo da passagem, R$ 7,90 (ou R$ 5 na tarifa social), é apontado como um ponto negativo por alguns passageiros. A expectativa é que a revisão das linhas de ônibus municipais e a retomada de investimentos em expansões possam melhorar o cenário futuro da Linha 4.