Jovens Chineses Adotam Cidades Fantasmas como Lar
Jovens chineses buscam moradia acessível em 'cidades fantasmas', resquícios do boom imobiliário, transformando edifícios semipopulosos em lares e repensando o futuro urbano.

Um novo perfil de morador surge na China: jovens que optam por residir em chamadas 'cidades fantasmas'. Esses locais, marcados por empreendimentos imobiliários inacabados e torres de apartamentos com pouca ocupação, tornam-se o lar de uma geração que busca alternativas acessíveis de moradia em meio a um mercado imobiliário inflacionado.
O fenômeno é particularmente visível em cidades como Huizhou, um município de 6 milhões de habitantes localizado nas proximidades de Hong Kong. De varandas de condomínios como o Prosperous Lakeside Mansion, os residentes contemplam paisagens que misturam a baía de Daya com colinas verdejantes, um cenário que contrasta com a aparente falta de vida urbana.
Essas 'cidades fantasmas' são, em muitos casos, resquícios do gigantesco boom imobiliário que a China experimentou nas últimas décadas. O rápido crescimento econômico impulsionou a construção em larga escala, muitas vezes superando a demanda real e deixando para trás vastos complexos residenciais com infraestrutura, mas com poucos habitantes.
A escolha de viver nesses locais não é apenas uma questão de custo. Para muitos jovens chineses, representa uma estratégia para escapar dos altos preços dos imóveis nas metrópoles consolidadas, como Xangai e Pequim. A possibilidade de adquirir ou alugar propriedades por valores significativamente mais baixos permite que eles poupem dinheiro, invistam em outros projetos ou simplesmente tenham uma melhor qualidade de vida financeira.
Além disso, a pandemia de covid-19 e as subsequentes políticas de 'covid zero' na China podem ter acelerado o êxodo para áreas menos densamente povoadas ou para empreendimentos que, embora inacabados, oferecem mais espaço e tranquilidade. A experiência de lockdowns rigorosos em grandes centros urbanos levou muitos a reavaliar suas prioridades, buscando locais com menor custo de vida e maior sensação de liberdade.
O fenômeno também levanta questões sobre o futuro do planejamento urbano e do mercado imobiliário chinês. A existência dessas 'cidades fantasmas' e a crescente adoção por parte de jovens sugerem a necessidade de repensar os modelos de desenvolvimento, focando em sustentabilidade e em atender às reais necessidades da população, em vez de apenas impulsionar o crescimento a qualquer custo.
Enquanto o governo chinês busca estabilizar o setor imobiliário, a realidade é que uma nova geração de moradores está encontrando seu caminho nesses espaços, transformando o que antes eram símbolos de excesso em lares funcionais e acessíveis. A tendência pode indicar uma mudança de paradigma no estilo de vida urbano chinês, onde a qualidade de vida e a acessibilidade financeira ganham cada vez mais espaço.