Goiânia registra superávit de R$ 424 milhões em 2026
Prefeitura de Goiânia registra superávit de R$ 424 milhões no primeiro quadrimestre de 2026, com forte crescimento em investimentos e arrecadação, mas alerta para aumento da folha de pagamento.

A Prefeitura de Goiânia alcançou um superávit expressivo de R$ 423,9 milhões no primeiro quadrimestre de 2026. O resultado financeiro positivo foi divulgado pelo prefeito Sandro Mabel (UB) durante audiência pública na Câmara Municipal, destacando um crescimento real de quase 3% nas receitas em comparação com o mesmo período do ano anterior, após descontada a inflação. No total, o município arrecadou R$ 3,76 bilhões e desembolsou R$ 3,33 bilhões.
## Investimentos Disparam e Indicadores Fiscais Superam Metas
Um dos pontos de maior destaque no balanço foi o salto nos investimentos. Entre janeiro e abril de 2026, a administração municipal aplicou R$ 292,9 milhões em obras e projetos, um aumento impressionante de 719,39% em relação aos R$ 35,7 milhões investidos no mesmo intervalo de 2025. Segundo o secretário municipal da Fazenda, Oldair Marinho, a gestão passou por uma fase de organização fiscal e agora entra em um período de "realizações". O resultado primário atingiu R$ 264 milhões, superando em quase 200% a meta anual prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que era de R$ 132,7 milhões. O resultado nominal também ficou acima do esperado, alcançando R$ 389,1 milhões.
A saúde fiscal do município foi reconhecida com a elevação da nota da Capacidade de Pagamento (Capag), concedida pelo Tesouro Nacional, de C para A. Essa melhora no indicador, que avalia o equilíbrio financeiro, amplia a capacidade da prefeitura de obter financiamentos com garantia da União e de executar investimentos estratégicos.
## Folha de Pagamento Liga Sinal de Alerta
Apesar do cenário financeiro favorável, o relatório aponta um ponto de atenção: o crescimento da folha de pagamento. Atualmente, os gastos com pessoal representam 46,28% da arrecadação municipal. A projeção é que esse percentual chegue a 48,26% no terceiro quadrimestre de 2026, aproximando-se perigosamente do limite prudencial de 51% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que aciona um sinal amarelo para os gestores.
## Receitas Fortalecidas por Diversas Fontes
O desempenho positivo foi impulsionado por diversos fatores. O Imposto Sobre Serviços (ISS) registrou uma arrecadação de R$ 541,9 milhões, um aumento de R$ 58,6 milhões em relação ao ano anterior. As transferências constitucionais também foram cruciais, com o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) crescendo R$ 50,6 milhões (alta de 28,5%), o repasse do ICMS aumentando R$ 36,5 milhões (15,2%) e os recursos do Fundeb crescendo R$ 28,4 milhões. A gestão de caixa municipal também contribuiu, com as receitas patrimoniais evoluindo cerca de R$ 19 milhões (22,98%). A Dívida Consolidada Líquida encerrou o período em R$ 325,9 milhões, abaixo da meta fiscal estabelecida.