Falhas em Trens de SP se acumulam após recuos em concessões

Falhas em trens de São Paulo se multiplicam em linhas concedidas e da CPTM, afetando milhares de passageiros. Governo Tarcísio reavalia concessões e CPTM reassume linhas.

Falhas em Trens de SP se acumulam após recuos em concessões

O sistema de transporte metroferroviário de São Paulo tem registrado um acúmulo de falhas em diversas linhas nos últimos meses, impactando milhares de passageiros. Os incidentes incluem lentidão na circulação, interrupções por falhas elétricas e paralisações completas de ramais, como ocorrido recentemente, que gerou caos na capital e região metropolitana. A situação se agrava em meio a reavaliações do governo estadual sobre planos de concessão de linhas.

## Problemas em Linhas Concedidas e CPTM

Linhas que já foram concedidas a gestoras privadas e também ramais operados pela própria Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) têm apresentado problemas recorrentes. Em março deste ano, antes de ser concedida à concessionária Trivia, a linha 12-Safira enfrentou lentidão devido a um problema técnico em um aparelho de mudança de via, além de ter sofrido com vandalismo e furtos de cabos elétricos. Recentemente, falhas no sistema de energia na linha 10-Turquesa, da CPTM, forçaram passageiros a trocar de composição em meio à via. Já a linha 11-Coral operou com lentidão e paradas prolongadas em estações. Nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, sob gestão da Motiva, também ocorreram incidentes, como a interrupção da circulação por problemas em um trem vazio e falhas na rede aérea que levaram à circulação por via única.

## Intervenção e Críticas ao Modelo

Após a recente pane que causou grande transtorno, a Artesp determinou que a CPTM reassuma a operação das linhas 11, 12 e 13 por um período de 90 dias. Essas linhas foram concedidas em leilão em março de 2025 ao grupo Comporte Participações. A Trivia Trens, concessionária, afirmou manter diálogo com o governo e a Artesp, reiterando sua capacidade técnica e operacional. Especialistas criticam a "perda de unidade e de identidade" do sistema metroferroviário paulista, argumentando que a coexistência de diferentes companhias operando simultaneamente dificulta a percepção do serviço como um produto único e centralizado pelo passageiro, lembrando mais um modelo fragmentado como o de ônibus. O modelo de gestão de concessões no setor metroferroviário gera debates, com exemplos de sucesso e fracasso em diferentes cidades do mundo, enquanto o modelo europeu tende a ser mais estatal e unificado, e o japonês apresenta modelos de empresas privadas funcionando bem.

## Mudanças nos Planos de Tarcísio

O governo de Tarcísio de Freitas tem reavaliado planos para outras linhas do sistema. Um exemplo é a decisão de não prosseguir com a realocação de trens mais modernos da linha 10-Turquesa para outras linhas concedidas, após pressão de usuários e outros setores. A intenção inicial era manter os trens mais antigos sob gestão pública da CPTM. A gestão estadual tem sido marcada por recuos em decisões sobre o futuro das concessões, gerando incertezas e críticas sobre a condução do processo.