Dolarização no Rio: Aluguéis Altos Forçam Moradores a Deixar Bairros Nobres

Aluguéis exorbitantes no Rio de Janeiro forçam moradores a sair de bairros cobiçados. Fenômeno "dolarização" expulsa residentes, que buscam alternativas em cidades vizinhas.

Dolarização no Rio: Aluguéis Altos Forçam Moradores a Deixar Bairros Nobres

O mercado imobiliário do Rio de Janeiro tem registrado uma alta significativa nos valores de aluguel, um fenômeno que tem levado muitos moradores a deixar bairros tradicionais e cobiçados por turistas e investidores. A busca por moradia acessível tem empurrado os residentes para áreas menos centrais ou até mesmo para cidades vizinhas, alterando o perfil socioeconômico de regiões antes dominadas por moradores locais.

Essa "dolarização" dos aluguéis, como tem sido chamada, reflete um aumento expressivo no custo de vida, tornando insustentável a permanência de muitos na cidade. A consequência direta é a expulsão de moradores de longa data e a dificuldade de novos residentes em se estabelecerem em áreas nobres como Copacabana, na Zona Sul.

Um exemplo dessa realidade é Rodrigo Gicovate, ator e servidor público de 37 anos. Ele relatou que, após anos acompanhando a escalada dos preços, decidiu se mudar de Copacabana para Niterói, cidade vizinha do outro lado da Baía de Guanabara, há dois anos. A decisão foi motivada pela dificuldade em sustentar o custo de vida no Rio.

Gicovate chegou à cidade em 2019 e, após um período fora durante a pandemia, retornou em 2022. Na época, optou por dividir um apartamento em Copacabana com outras três pessoas para tentar mitigar as despesas. No entanto, mesmo com essa medida, seu orçamento se tornou cada vez mais apertado, culminando na decisão de buscar um novo lar em Niterói.

O caso de Rodrigo Gicovate ilustra um movimento mais amplo que tem transformado a paisagem urbana e social do Rio de Janeiro. A valorização imobiliária, impulsionada pelo turismo e por investimentos, tem um lado sombrio: a exclusão de moradores que não conseguem mais arcar com os custos elevados, forçando-os a redesenhar suas vidas e buscar alternativas em outros municípios ou bairros mais distantes.