Disputa por céus: Boituva exige revogação de decreto de Iperó sobre voos de balão

Boituva solicita a Iperó a revogação de decreto que autoriza voos de balão à tarde, alegando risco à segurança de paraquedistas.

Disputa por céus: Boituva exige revogação de decreto de Iperó sobre voos de balão

A Prefeitura de Boituva, município paulista conhecido por seu centro de paraquedismo, formalizou um pedido nesta segunda-feira (6) para que Iperó, sua vizinha, revoque um decreto recente que autoriza a realização de voos de balão durante a tarde. A alegação central de Boituva é que essa prática representa um risco significativo à segurança dos paraquedistas que operam na região.

O decreto de Iperó, publicado na última sexta-feira (3), permitia a operação de balões no período da tarde entre os meses de maio e agosto. Boituva argumenta que a presença de balões livres, que possuem manobrabilidade limitada e dependem da direção dos ventos, impossibilita a garantia de que não invadirão a área de salto de paraquedistas. Essa área, homologada pelo DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) como SBR-427, é restrita exclusivamente para o lançamento de paraquedistas, cobrindo do solo até 14.000 pés de altitude.

## Diálogo Institucional e Segurança Aérea

A Prefeitura de Boituva informou que já havia iniciado conversas informais com o prefeito de Iperó, Leonardo Folim, após a publicação do decreto. No entanto, a necessidade de formalizar o pedido se deu pela busca de segurança jurídica e operacional para a região. Em nota, o município de Boituva solicitou a suspensão imediata dos voos vespertinos previstos no decreto de Iperó e a ampliação do diálogo institucional. A proposta inclui a participação das administrações municipais, operadoras e órgãos reguladores federais, como ANAC e DECEA, para estabelecer uma convivência segura que preserve a vida humana.

## Versão de Iperó e Viabilidade da Convivência

A Prefeitura de Iperó, por sua vez, defende que o decreto visa regulamentar a atividade de balonismo no município, e que os voos citados são de caráter excepcional, com a condição de não interferirem no espaço aéreo destinado ao paraquedismo. A cidade vizinha ressalta que a prática de voos de balão durante a tarde já ocorre em Boituva em casos especiais, como durante campeonatos de balonismo, o que, segundo Iperó, demonstra a viabilidade de organização entre as atividades aéreas. Iperó também enfatiza que as regras específicas para essa convivência serão definidas em conjunto com os órgãos competentes, dentro do prazo de 30 dias para que o regulamento entre em vigor. Além disso, a cidade afirma que a regulamentação do espaço aéreo é responsabilidade exclusiva do Governo Federal e que a notificação de Boituva é vista como uma colaboração para a análise de riscos das atividades aéreas na região.