Campo de Marte pode dobrar voos até 2052; ruído é impasse
Aeroporto Campo de Marte em SP prevê dobrar voos até 2052 com tecnologia IFR, mas enfrenta resistência por ruído e impacto imobiliário. Investimentos e mudanças na frota estão previstos.

O Aeroporto do Campo de Marte, localizado em Santana, zona norte de São Paulo, tem uma projeção ambiciosa para seu futuro: mais do que dobrar o número de pousos e decolagens até 2052. Um estudo de demanda contratado pela concessionária PAX Aeroportos estima que a média diária de movimentos aéreos possa saltar de 161 para 375, um aumento de 132,9% em relação a 2023. Em dias de pico, a previsão é de impressionantes 1.104 movimentos em 2052.
## Transição para voos por instrumento
A expansão está atrelada à implementação dos chamados voos por instrumentos (IFR), que entrarão em fase de testes em breve. Essa tecnologia permitirá operações mais seguras e eficientes, especialmente em condições de baixa visibilidade, e é uma exigência da concessão do aeroporto. O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) já registra um crescimento, com a projeção de atingir 98.031 movimentações em 2030, consolidando o Campo de Marte como um dos aeroportos mais movimentados do país.
## Impasses e preocupações
No entanto, o plano de expansão enfrenta resistência. Moradores próximos ao aeroporto e um grupo da zona oeste têm expressado preocupações com o aumento do ruído, especialmente o fluxo de helicópteros, levando o Ministério Público Federal (MPF) a solicitar esclarecimentos. O mercado imobiliário também demonstra apreensão, pois a adoção do IFR pode implicar restrições de altura para novos empreendimentos em um raio de 20 km. A concessionária do aeroporto de Congonhas, a Aena, também manifestou preocupação com a sincronização das operações aéreas entre os dois terminais, propondo soluções para garantir um crescimento sustentável e seguro do espaço aéreo.
## Investimentos e mudanças na frota
O Ministério dos Portos e Aeroportos defende que o IFR trará maior segurança e reduzirá cancelamentos, além de ressaltar que a concessão passou por processos de consulta pública. A transição para a operação por instrumentos será gradual, com seis meses de testes e uma avaliação posterior. A concessão, que inclui também o aeroporto de Jacarepaguá (RJ), prevê investimentos de R$ 1,7 bilhão em modernização e manutenção. A expectativa é que, até 2052, a movimentação de jatos, turboélices e aeronaves leves aumente significativamente, passando de 50% para 63% do total, em detrimento dos helicópteros. Embora não haja anúncios de voos comerciais regulares, a concessionária estuda a viabilidade de um vertiporto para aeronaves elétricas.