Aracaju: Natureza e Obras Moldam Praia Formosa e Bairro Treze de Julho

A Praia Formosa e o bairro Treze de Julho em Aracaju passam por transformações devido à natureza e obras. Entenda a história e o impacto das intervenções.

Aracaju: Natureza e Obras Moldam Praia Formosa e Bairro Treze de Julho

A história e a geografia de Aracaju se entrelaçam na região da Praia Formosa, no bairro Treze de Julho, onde a força da natureza e a ação humana transformaram a paisagem ao longo das décadas. Um ponto marcante dessa evolução foi o icônico "Bico do Pato", uma formação natural que protegia a costa, mas que desapareceu por volta de 2010, coincidindo com o fim da montagem da árvore de Natal da Energisa, que chegou a figurar no livro dos recordes por sua altura.

O desaparecimento do "Bico do Pato" teve consequências diretas. Segundo Eduardo Matos, professor e procurador do MPSE que atuou como gestor da Secretaria do Meio Ambiente entre 2013 e 2016, a ausência dessa proteção natural permitiu que as correntes marítimas avançassem diretamente sobre a Praia Formosa e o bairro Treze de Julho. Essa alteração na dinâmica costeira é um reflexo de como as reações da natureza podem ser intensificadas por ações humanas, um tema amplamente discutido e documentado.

## Intervenções para conter a erosão

Diante do avanço do rio Sergipe, uma obra de contenção foi realizada na região da Praia Formosa. Eduardo Matos explicou que foram instalados seis espigões, com 2,5 metros de profundidade, para proteger a barreira costeira. Essa intervenção, embora controversa na época, foi crucial para evitar que a erosão se intensificasse, protegendo a avenida local e impedindo que áreas já afetadas, como próximo ao prédio Alda Cecília e ao posto Petrox, fossem completamente tomadas pela água.

"Foi uma obra necessária, que gerou muita polêmica, mas que se não tivesse sido feita a avenida não mais existiria", destacou Matos, ressaltando a importância da intervenção para a preservação da infraestrutura urbana.

## A dinâmica histórica dos rios e da costa

As transformações na Praia Formosa e no bairro Treze de Julho são contextualizadas por estudos geográficos históricos, como o artigo "Paisagem da Janela", da professora Lilian de Lins Wanderley. Segundo os dados levantados, a barra do rio Sergipe era originalmente muito mais extensa, abrangendo desde Atalaia Nova até a praia de Atalaia, sem a formação atual da Coroa do Meio.

Ao longo do tempo, a dinâmica do rio Sergipe, descrito como "vivo" e com "vontade própria" devido ao seu constante arrasto de sedimentos, levou à formação e junção de bancos de areia, como a Coroa do Meio, no início do século XX. Essa movimentação de sedimentos é um processo natural e contínuo, que moldou a costa sergipana e que precisa ser compreendido para se entender as mudanças atuais.

## Compreendendo a erosão costeira

O artigo da professora Lilian Wanderley também aborda a questão da erosão na Atalaia, desmistificando a ideia de que a urbanização da Coroa do Meio seria a única causa. A pesquisa indica que, mesmo sem essa intervenção urbana, a erosão continuaria devido à dinâmica natural do rio. A interrupção de obras de proteção litorânea na década de 80, tanto em Aracaju quanto em Atalaia Nova, também contribuiu para as complexidades da gestão costeira na região.

A divulgação desses fatos históricos e geográficos é vista como fundamental para que as novas gerações compreendam a evolução de sua cidade e a complexa relação entre o homem e o meio ambiente.