Zona Franca de Manaus: Falta de Terrenos Freia Novas Fábricas

Falta de terrenos regularizados na Zona Franca de Manaus se torna gargalo para novas fábricas, ameaçando investimentos e o desenvolvimento da região, apesar de benefícios fiscais.

Zona Franca de Manaus: Falta de Terrenos Freia Novas Fábricas

A Zona Franca de Manaus (ZFM), um dos principais polos industriais do Brasil e crucial para o desenvolvimento da Amazônia, enfrenta um gargalo crítico: a falta de terrenos disponíveis para a instalação de novas fábricas. O problema, antes restrito a discussões internas, agora é tratado como prioridade máxima pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), que teme que a escassez de áreas regularizadas possa comprometer o crescimento e a atratividade do polo.

## Segurança Jurídica Ameaçada pela Escassez Física

Esta crise de espaço físico surge em um momento delicado, logo após o Congresso Nacional garantir a manutenção dos benefícios fiscais da ZFM até 2073, em meio à reforma tributária. As empresas que se estabelecem na região contam com incentivos fiscais significativos, como isenção ou redução de impostos federais e estaduais, em contrapartida à instalação de unidades fabris, geração de empregos e cumprimento de metas de produção local. A ideia por trás desses benefícios é compensar as desvantagens logísticas da região e impulsionar a economia amazônica.

Apesar da segurança jurídica recém-conquistada, a limitação de espaço físico já se tornou um fator impeditivo para novos investimentos. Representantes do setor de eletroeletrônicos, por meio da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), alertaram que empresas já estão desistindo de se instalar em Manaus devido à dificuldade em encontrar áreas adequadas. A falta de terrenos regularizados nos distritos industriais, que já contam com infraestrutura pronta, é o principal ponto de preocupação.

## Processos Lentos e Invasões Agravam o Cenário

Um dos fatores que contribuem para a lentidão na oferta de novas áreas é o modelo atual de distribuição de terrenos pela Suframa, que depende de licitações realizadas a cada dois anos. A última ocorreu em 2025, e a próxima só está prevista para 2027, criando um hiato de tempo que impede a agilidade necessária para atender à demanda.

Além disso, o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, admitiu que invasões e a ocupação irregular de terrenos em áreas como os Distritos Industriais 1, 2 e 3 agravam o problema. A situação irregular, segundo ele, tende a se intensificar em um ano eleitoral. Tentativas de modernizar o processo, como a substituição do modelo de licitação por editais de chamamento público, que seriam mais rápidos, ainda não foram implementadas.

Atualmente, a Zona Franca de Manaus abriga cerca de 600 indústrias e gera aproximadamente 131 mil empregos diretos. A capacidade de expandir esses números e atrair novas empresas, especialmente em setores estratégicos como o eletroeletrônico, agora depende diretamente da resolução da crise fundiária que assola o polo industrial.