Saúde Básica no Brasil: Crise de Medicamentos e Sobrecarga Ameaçam Atenção Primária

Reformulação da Atenção Básica no Brasil é discutida em meio a crise de medicamentos e sobrecarga de profissionais. Equipes da ESF atendem mais de 5.000 pessoas, dobrando o recomendado.

Saúde Básica no Brasil: Crise de Medicamentos e Sobrecarga Ameaçam Atenção Primária

O Brasil está imerso em discussões sobre a reformulação da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), com a expectativa de que novas diretrizes sejam publicadas até o final deste ano. A iniciativa surge em um contexto crítico para a saúde pública, marcado pela sobrecarga de profissionais, escassez de medicamentos e insumos essenciais em postos de saúde, e uma integração ainda deficiente com outras esferas do Sistema Único de Saúde (SUS).

## Desafios no Atendimento Diário

As discussões sobre a revisão da PNAB ganharam destaque durante o congresso da regional Sudeste da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), realizado no Rio de Janeiro. Profissionais relataram em palestras e oficinas que muitas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) estão responsáveis por até 5.000 pessoas. Este número excede em mais do dobro o parâmetro considerado ideal pela entidade para assegurar um acompanhamento familiar adequado e de qualidade. A oficina "Tem, mas tá em falta" evidenciou a dura realidade enfrentada, onde casos de pacientes diabéticos sem acesso à insulina e outras necessidades básicas se tornam rotina, forçando os profissionais a improvisarem com os recursos disponíveis.

## Angústia Moral e o Custo Humano

A falta de medicamentos e insumos não é um problema isolado, mas sim um reflexo de uma escassez mais ampla que abrange também a carência de profissionais e a exaustão das equipes em atividade. A natureza continuada da responsabilidade da atenção primária com pacientes e suas famílias gera um desgaste emocional profundo, descrito pelas profissionais como "angústia moral". A atuação vai além da prescrição médica, envolvendo o suporte em situações adversas como enchentes, onde necessidades básicas como abrigo e alimentação se tornam cruciais. Essa implicação com a vida dos pacientes, contrastando com a lógica pontual de atendimentos em prontos-socorros, demonstra o impacto humano da crise no sistema de saúde.