Mulheres Qualificadas Sofrem Retrocesso Profissional Global

Mulheres mais qualificadas do mundo enfrentam retrocesso profissional com queda em cargos executivos, aumento da diferença salarial e diminuição da participação em trabalho integral.

Mulheres Qualificadas Sofrem Retrocesso Profissional Global

Gerações de mulheres mais qualificadas do que nunca estão enfrentando um cenário de estagnação e até retrocesso em suas carreiras profissionais em países desenvolvidos. Dados recentes indicam uma reversão em tendências positivas observadas nas últimas décadas, com a diferença salarial entre gêneros voltando a crescer e a participação feminina em posições de liderança em grandes empresas diminuindo. Esse fenômeno contradiz o avanço educacional, onde as mulheres já superam os homens em número de estudantes universitários em praticamente todas as nações ricas.

Estudos compilados pela S&P Global revelaram que, em 2023, a participação de mulheres em cargos executivos em empresas listadas na Bolsa americana caiu pela primeira vez em quase 20 anos. O ano de 2025 viu uma redução na porcentagem de mulheres nomeadas para conselhos de administração de empresas do S&P500, afastando-se do pico alcançado em 2020. Instituições financeiras renomadas, como o Goldman Sachs, também registraram uma proporção menor de novas sócias mulheres em seu último ciclo de promoções, um fato inédito em mais de uma década. O cenário se repete em bancos como o JPMorgan Chase, onde a disputa por posições de liderança parece ter retornado a um perfil majoritariamente masculino e branco.

O retrocesso não se limita ao alto escalão corporativo. Em 33 países membros da OCDE, a proporção de mulheres em trabalho de tempo integral apresentou uma leve queda em 2024, sendo a primeira desde que a consultoria PwC começou a monitorar esses dados há 15 anos. Nos Estados Unidos, a participação feminina na força de trabalho, que atingiu um recorde em março, sofreu uma queda mais acentuada do que a masculina nos meses seguintes. Esse declínio é particularmente notável entre mães com filhos pequenos, que registraram a maior queda na participação em quatro décadas.

A disparidade salarial, que vinha diminuindo consistentemente, também voltou a aumentar nos Estados Unidos em 2023 e 2024, marcando o primeiro declínio consecutivo de dois anos em 60 anos. Outros países ricos, como Canadá, França e Suíça, também observaram um aumento na diferença salarial de gênero. No Reino Unido, mulheres na faixa dos 40 anos, que iniciaram suas carreiras em um período de otimismo, agora veem essa diferença salarial crescer novamente.

As aspirações profissionais das mulheres também parecem ter sido impactadas. Uma pesquisa anual da McKinsey e da Lean In, divulgada em dezembro de 2025, mostrou que a proporção de mulheres interessadas em ascender na hierarquia corporativa diminuiu entre 2019 e 2023, alinhando-se a uma tendência de estagnação observada entre os homens.

As causas para esse retrocesso são multifacetadas e incluem o impacto da pandemia de Covid-19, a escassez de creches acessíveis e o desmonte de políticas de diversidade e inclusão, especialmente durante o governo Trump nos Estados Unidos. Esses fatores, combinados com a persistência de vieses inconscientes e estruturas de trabalho que ainda não acomodam plenamente as responsabilidades familiares, contribuem para que mulheres altamente qualificadas enfrentem barreiras significativas em suas trajetórias profissionais.