Milhões de Brasileiros Sem Educação Básica; São Luís em Alerta de Saneamento
Pesquisa revela que quase 64 milhões de brasileiros não concluíram a educação básica. Em paralelo, São Luís é apontada como uma das 20 cidades com pior saneamento básico no país.

Uma pesquisa recente aponta um cenário preocupante na educação brasileira: quase 64 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não concluíram o estudo básico. Deste total, mais de 44 milhões não finalizaram o ensino fundamental e cerca de 19 milhões não completaram o ensino médio. Apesar da expressiva demanda, menos de 2% da população tem acesso à Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Os dados, compilados por dezesseis organizações da sociedade civil, incluindo a Fundação Roberto Marinho, a Unesco e o Unicef, foram divulgados em conjunto com o lançamento de uma rede focada em propor melhorias para o Plano Nacional de Educação da próxima década. O objetivo principal é impulsionar a conclusão da formação educacional e fazer com que a EJA sirva como porta de entrada para um mercado de trabalho mais qualificado.
O impacto da baixa escolaridade transcende a esfera individual. Para o país, a falta de conclusão da educação básica representa um custo econômico significativo. Estima-se que o Brasil poderia gerar R$ 66 bilhões de renda extra anualmente, o equivalente a 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB), caso essa parcela da população concluísse seus estudos. "Essa rede é capaz de mostrar para a sociedade brasileira e para o poder público, inclusive, que a educação de jovens e adultos não é um assunto menor quando a gente fala de desafios da educação", declarou João Alegria, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho.
Em paralelo a essa questão educacional, outro levantamento destaca problemas graves em infraestrutura urbana. São Luís, capital do Maranhão, figura entre as 20 cidades brasileiras com o pior saneamento básico, de acordo com o Ranking do Saneamento 2026. A cidade apresenta um índice de apenas 41,85% de coleta de esgoto, evidenciando desafios urgentes na área.
A iniciativa para impulsionar a educação de jovens e adultos busca não apenas a capacitação profissional, mas também o desenvolvimento socioeconômico do país. "Nós precisamos formar para o trabalho, para que a pessoa tenha emprego, possa ser absorvida. Que o país possa se desenvolver, prosperar", comentou Rebeca Otero, coordenadora de educação da Unesco no Brasil, ressaltando a interconexão entre educação e progresso nacional.
A pesquisa sobre a educação básica evidencia a centralidade da EJA como uma agenda fundamental para o futuro do Brasil, enquanto os dados sobre saneamento em São Luís apontam para a necessidade de investimentos e políticas públicas eficazes para garantir qualidade de vida aos cidadãos.