Marcelly Malta Lisboa: Ícone Trans Pioneira no Brasil Morre Aos 75 Anos
Morre Marcelly Malta Lisboa, ícone trans pioneira que lutou por direitos LGBTQIA+ e foi a primeira a mudar nome civil sem cirurgia no Brasil. Ativista dedicou a vida à causa.

## Uma Vida de Luta e Conquistas
Marcelly Malta Lisboa, figura proeminente na história do movimento LGBTQIA+ brasileiro e defensora incansável dos direitos das pessoas trans, faleceu em Porto Alegre no dia 4 de julho de 2026, aos 75 anos. Nascida em Mato Leitão, Rio Grande do Sul, em 1951, Marcelly dedicou sua vida à luta por dignidade, visibilidade e igualdade, deixando um legado inestimável.
## Pioneirismo e Marcos Históricos
Um dos feitos mais notáveis de Marcelly foi a conquista, em 2011, do direito de alterar seu nome civil sem a necessidade de cirurgia de redesignação sexual. Essa decisão judicial inédita no Brasil abriu portas para inúmeras outras pessoas trans, representando um marco na batalha por reconhecimento e autonomia. Antes mesmo dessa vitória legal, Marcelly já era uma participante ativa em momentos cruciais da luta por direitos da comunidade, colaborando na formulação de políticas públicas e tornando-se uma referência de acolhimento.
## Trajetória de Ativismo e Profissional
Inspirada por uma tia, Marcelly realizou o sonho de trabalhar na área da saúde como auxiliar de enfermagem. Paralelamente, enfrentou a realidade da prostituição nas ruas e boates de Porto Alegre. Durante a ditadura militar, foi vítima da perseguição frequentemente direcionada a travestis, sendo presa sob acusações de vadiagem. Sua experiência na Coligay, a primeira torcida organizada LGBT+ do Brasil, e seu engajamento no Gapa-RS (Grupo de Apoio à Prevenção da Aids) na década de 1980, em meio à epidemia de HIV/Aids, evidenciaram seu compromisso com causas vitais para a comunidade.
## Legado Internacional e Nacional
Após uma experiência profissional na Europa nos anos 1990, que lhe proporcionou independência financeira, Marcelly retornou ao Brasil e fundou, em 1999, a Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul, uma organização pioneira na defesa dos direitos dessa população no estado. Sua atuação se estendeu à liderança da Rede Trans Brasil e à participação na construção de políticas públicas de enfrentamento à Aids. Por décadas, dedicou-se à formação de profissionais de saúde e segurança pública para o atendimento adequado à população LGBTQIA+.
## A Luta pelo Envelhecimento Trans
Nos últimos anos de sua vida, Marcelly incorporou a bandeira do direito de pessoas trans envelhecerem com dignidade. Em um país marcado pela violência e pela morte precoce de pessoas trans, ela defendia que viver plenamente, inclusive na terceira idade, deveria ser uma conquista a ser celebrada. Sua visão sempre foi coletiva: vitórias individuais só eram significativas quando beneficiavam a comunidade como um todo. Marcelly Malta Lisboa viveu 75 anos intensos, mantendo seu ritmo de trabalho até o fim, um exemplo de dedicação e paixão pela causa que transformou seu nome em sinônimo de luta e resistência.