Mães temem retrocesso em tratamento de autismo em Roraima

Mães de crianças com autismo em Roraima temem retrocessos no tratamento após esvaziamento do programa Teamarr. Mudanças administrativas e possível substituição de profissionais geram apreensão.

Mães temem retrocesso em tratamento de autismo em Roraima

A incerteza paira sobre as famílias de mais de mil crianças e adolescentes atendidos pelo Centro de Acolhimento ao Autista (Teamarr), em Roraima. O programa, mantido pela Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR), teve sua sede esvaziada nesta segunda-feira (7), gerando apreensão sobre a continuidade e a qualidade do tratamento especializado oferecido a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Francinalda Conceição da Costa, mãe de três filhos com TEA – de 5, 10 e 18 anos –, expressou seu temor de que os avanços conquistados pelas crianças sejam perdidos. "Tenho muito medo de perder tudo o que aprenderam", declarou, ressaltando que cada progresso é construído gradualmente e que a interrupção ou alteração abrupta no acompanhamento terapêutico pode comprometer o desenvolvimento deles.

A situação se agravou após a exoneração de servidores comissionados, que resultou na retirada de materiais e equipamentos essenciais para os atendimentos. Francinalda, que participa do programa desde 2021, quando ainda se chamava "Sala Azul", relata que essa nunca foi uma prática em períodos de recesso, aumentando a desconfiança sobre as motivações por trás da intervenção.

## Críticas à Gestão e Fala Controversa

A intervenção na unidade foi liderada pelo presidente da Ale-RR, Jorge Everton, e pegou de surpresa até mesmo a deputada Ângela Águida Portella, que até então era uma das responsáveis pelo programa. Famílias participaram de manifestações e reuniões na Assembleia Legislativa, buscando respostas e garantias sobre o futuro do Teamarr.

Durante um encontro com a superintendente de Programas Especiais da Casa, Marília Pinto, Francinalda criticou uma declaração da gestora que teria se referido ao autismo como "problema". A mãe classificou a fala como capacitista e infeliz, destacando a falta de conhecimento sobre a condição por parte da administradora. A Ale-RR, por sua vez, emitiu nota lamentando o ocorrido e afirmando que não houve intenção de preconceito, reiterando o compromisso com o respeito às pessoas com TEA e suas famílias.

## Preocupação com a Continuidade do Atendimento

Além do receio quanto à perda de progressos terapêuticos, a possibilidade de substituição dos profissionais que já acompanham as crianças também gera grande preocupação. A equipe atual possui capacitação específica para trabalhar com o público autista, e a introdução de novos profissionais, sem a mesma expertise, pode impactar negativamente a qualidade do serviço e a rotina das famílias.

A Ale-RR alega que as mudanças visam uma "reorganização administrativa" para aprimorar a estrutura e torná-la mais acessível e acolhedora. No entanto, para as famílias, a incerteza sobre a retomada dos atendimentos, prevista para o dia 27, e a falta de clareza sobre os novos rumos do programa geram um clima de apreensão e medo de retrocessos em um processo que exige continuidade e estabilidade.