Lula pede a diretor da OMS que leve recado a Trump sobre o SUS
Lula defende o SUS em evento com diretor da OMS no Rio e pede que ele leve recado a Trump sobre igualdade no acesso à saúde, criticando cortes de verbas dos EUA.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou um evento no Rio de Janeiro, ao lado do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, para defender o Sistema Único de Saúde (SUS) e enviar uma mensagem ao ex-presidente americano Donald Trump. Lula pediu que Ghebreyesus transmita a Trump que um país como o Brasil, que não é rico como os Estados Unidos, consegue garantir tratamento de saúde igualitário para todos os cidadãos, independentemente de sua condição social.
## Defesa do SUS e Crítica a Trump
Durante discurso no Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte do Rio, Lula afirmou que o SUS está passando por uma "revolução" e que gostaria que a OMS divulgasse internacionalmente o modelo brasileiro de atendimento público. Ele enfatizou que a saúde não deve ser um privilégio para os ricos. "Quando você puder conversar com o presidente Trump, que anunciou que ia cortar verba da Organização Mundial da Saúde, diga para ele como um país que não é rico como os Estados Unidos consegue garantir a cada cidadão brasileiro o mesmo tratamento de saúde que terá o presidente da República", declarou Lula. A fala foi direcionada a Tedros Adhanom, que estava presente ao lado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e do governador em exercício do Rio, Ricardo Couto.
Ghebreyesus, por sua vez, elogiou o SUS, classificando-o como um dos "raríssimos sistemas do mundo que cobre toda a população" e destacou o compromisso do Brasil com o acesso universal à saúde. Ele ressaltou que a saúde "é sempre uma escolha política e precisa de compromisso político". O diretor-geral da OMS recebeu um Cartão do SUS das mãos do ministro Padilha e agradeceu a Lula por sua liderança.
## Contexto e Críticas à Gestão Anterior
O evento no Rio de Janeiro também serviu como palco para Lula criticar a gestão anterior do governo federal em relação à saúde. Ele mencionou que, em gestões passadas, faltavam médicos e que o estacionamento dos hospitais federais era pago pelos funcionários, o que ele atribuiu à administração da família Bolsonaro. "Não tinha médicos, não tinha quase nada. Até o estacionamento dos hospitais federais os funcionários tinham que pagar para colocar o carro porque isso era administrado pela família Bolsonaro. Esse é o dado concreto", disse o presidente.
Lula também compartilhou sua experiência pessoal, mostrando o couro cabeludo após concluir um ciclo de radioterapia preventiva para um carcinoma basocelular. Ele concluiu o tratamento em junho, após 15 sessões. A visita ao hospital incluiu a demonstração de equipamentos do SAMU, unidades odontológicas móveis e motocicletas utilizadas no atendimento de emergência, reforçando a importância do investimento em serviços públicos de saúde.