Jornalistas Brasileiros Vencem Prêmio Gabo de Jornalismo
Gabriela Biló (UOL) e Metrópoles vencem Prêmio Gabo de Jornalismo 2026. Biló é premiada em Fotografia por ensaio sobre julgamento de tentativa de golpe, e Metrópoles em Cobertura por reportagem sobre letalidade da PM de SP.

A jornalista Gabriela Biló, do UOL, e a equipe do Metrópoles foram laureados com o Prêmio Gabo de Jornalismo, um dos mais importantes reconhecimentos internacionais da área, em sua edição de 2026. A cerimônia de premiação ocorreu em Bogotá, na Colômbia, e celebrou a excelência jornalística a partir de 1.915 trabalhos inscritos de 20 países.
Gabriela Biló, repórter fotográfica da Folha de S.Paulo, conquistou o prêmio na categoria Fotografia com seu ensaio "Como sobrevivem as democracias". O trabalho registra os bastidores do julgamento que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2025, por tentativa de golpe de Estado. Segundo o corpo de jurados, a fotografia de Biló conseguiu representar a ideia abstrata de democracia de forma irretocável, capturando personagens e momentos cruciais dentro e fora do plenário do Supremo Tribunal Federal.
O ensaio "Como sobrevivem as democracias" acompanha a movimentação no STF e compõe um retrato visual de um período simbólico para a democracia brasileira recente. Biló, que atua como fotojornalista em Brasília e está na Folha desde 2022, também é autora, em parceria, de livros sobre a trama golpista e o podcast "Medo e Delírio em Brasília".
Por outro lado, o portal Metrópoles foi vencedor na categoria Cobertura com a reportagem "A Política da Bala". Produzida por Artur Rodrigues e Renan Porto, a matéria investiga a alta letalidade da Polícia Militar de São Paulo, sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas e do então secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite. A reportagem "A Política da Bala" foi produzida ao longo de nove meses, com análise minuciosa de relatórios policiais e registros judiciais, resultando em um banco de dados detalhado sobre as vítimas.
Renan Porto dedicou o prêmio "a todas as pessoas da periferia de São Paulo e para todas as pessoas que foram assassinadas sob regimes autoritários na América Latina", ressaltando casos de pessoas desarmadas que foram mortas e cuja versão oficial prevaleceu sobre a realidade dos fatos. A reportagem do Metrópoles concorreu com veículos de renome internacional, como El País (Espanha) e Público (Portugal).
O Prêmio Gabo foi criado pela Fundação Gabo, instituição fundada pelo renomado escritor e jornalista colombiano Gabriel García Márquez, e é reconhecido por sua importância no cenário jornalístico mundial. O Brasil se destacou nesta edição, liderando a lista de indicados com 16 trabalhos entre os 50 finalistas.