Itamaraty cobra R$ 1 bi de siderúrgica sul-coreana por dívidas no Brasil
Itamaraty cobra dívida bilionária da sul-coreana Posco no Brasil. Empresa é acusada de falência planejada após obras no Ceará, deixando credores sem pagamento.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, através do Itamaraty, intensificou os esforços diplomáticos para intermediar a cobrança de uma dívida que ultrapassa R$ 1 bilhão, contraída pela Posco, um dos maiores conglomerados industriais da Coreia do Sul. A ofensiva ocorre após empresas nacionais, fornecedoras da filial brasileira da siderúrgica, terem recorrido ao governo em busca de auxílio para reaver valores devidos.
A Posco esteve envolvida na construção da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), no Ceará. Após a conclusão do empreendimento, a filial brasileira da empresa entrou em processo de falência. Sem sucesso em negociar diretamente com a matriz asiática, os credores buscaram o Itamaraty como último recurso para destravar as negociações e reaver os pagamentos.
## Dívida bilionária e falência planejada
A representação diplomática brasileira em Seul notificou formalmente a sede da Posco Eco & Challenge, solicitando a reabertura do diálogo. O montante total do passivo financeiro supera R$ 1 bilhão, com mais de R$ 40 milhões referentes a impostos e taxas não recolhidos aos cofres públicos brasileiros. A mobilização diplomática, sob a liderança do chanceler Mauro Vieira e com acompanhamento da embaixadora Márcia Donner de Abreu e do futuro chefe da embaixada em Seul, Fernando de Azevedo Pimentel, visa pressionar a empresa a honrar seus compromissos.
A investida diplomática ganhou respaldo com uma decisão judicial da 3ª Vara Empresarial de Fortaleza, que autorizou a cobrança direta da matriz sul-coreana pelas dívidas da filial brasileira. Os credores acusam a holding de orquestrar uma "falência planejada" para esvaziar o patrimônio no Brasil e remeter lucros para a Ásia. A Posco Brasil alegou crise decorrente da pandemia, declarando possuir ativos mínimos. No entanto, a Justiça identificou "ingerência direta" e "confusão patrimonial" pela matriz.
## Joint venture e fornecedores prejudicados
O complexo siderúrgico cearense foi resultado de uma joint venture com investimento de US$ 5,4 bilhões, unindo a Vale (50%), a Dongkuk (30%) e a Posco (20%). A subsidiária local, responsável pela execução das obras, terceirizou serviços essenciais a dezenas de fornecedores nacionais de pequeno e médio porte, que agora enfrentam a inadimplência.
## Agenda bilateral em foco
Os credores buscam incluir o tema na agenda da visita do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, ao Brasil em 27 de julho, para um encontro bilateral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia é transformar o litígio empresarial em um assunto de Estado, aumentando a pressão sobre a Posco. O caso surge em um momento de fortalecimento das relações comerciais, com um intercâmbio de US$ 11 bilhões em 2025, mas o calote pode gerar desconfiança nos negócios bilaterais.