Governo Lula decide expulsar suposto espião russo preso no Brasil
Governo Lula decide expulsar suposto espião russo Sergey Cherkasov, preso no Brasil em 2022. Ele usava identidade falsa e aguarda fim de pena para ser enviado à Rússia.

O governo brasileiro, sob a administração de Luiz Inácio Lula da Silva, deu um passo significativo ao publicar no Diário Oficial da União a decisão de expulsar Sergey Vladimirovich Cherkasov, um cidadão russo apontado como suposto agente de inteligência. Cherkasov foi preso no Brasil em 2022 e utilizava uma identidade brasileira falsa, sob o nome de Victor Muller Ferreira, para se infiltrar em atividades no exterior.
A medida, no entanto, tem sua execução condicionada ao cumprimento de sua pena de cinco anos de prisão por falsidade ideológica, em uma penitenciária federal em Brasília, ou mediante liberação pelo Poder Judiciário. Ainda não há uma previsão exata de quando a expulsão efetivamente ocorrerá.
## Suposto agente russo e atuação internacional
Cherkasov é investigado tanto pela Polícia Federal brasileira quanto pelo FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, que o consideram um agente de inteligência russo. As investigações, contudo, não encontraram evidências de que ele tenha atuado como espião contra o Brasil. Seus alvos teriam sido os Estados Unidos e países europeus. O próprio Cherkasov nega veementemente as acusações de ser um espião a serviço do governo russo.
A expulsão de estrangeiros que cometem crimes em território nacional é um ato administrativo privativo do Poder Executivo. Caso a expulsão seja concretizada, Cherkasov ficará proibido de retornar ao Brasil por 30 anos.
## Relações diplomáticas e o caso Cherkasov
Desde 2022, o governo russo tem solicitado a extradição de seu cidadão. A entrega já havia sido validada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas dependia do encerramento de investigações. No final do ano passado, a Justiça Federal e o Ministério Público Federal (MPF) confirmaram que não havia mais pendências jurídicas que impedissem a extradição, deixando a decisão final nas mãos da Presidência da República.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública tem conduzido o processo, com discussões internas envolvendo a defesa de Cherkasov e diplomatas russos. A defesa planeja encaminhar a decisão do Ministério da Justiça ao STF para deliberação. Se o STF autorizar a execução da decisão, Cherkasov poderá ser enviado à Rússia imediatamente, encerrando um capítulo complexo nas relações diplomáticas entre Brasil, Rússia e Estados Unidos.
## Trajetória e prisão
A trajetória de Cherkasov foi interrompida em abril de 2022, quando foi detido em Amsterdã, na Holanda, ao tentar ingressar no país. Ele foi subsequentemente enviado de volta ao Brasil. Na época, Cherkasov tentava atuar como estagiário no Tribunal Penal Internacional, em Haia, poucos meses após a Rússia iniciar a invasão da Ucrânia.
Investigações indicaram que ele utilizava documentos brasileiros falsos desde 2010, usando o Brasil como base para operar no exterior sem levantar suspeitas. No país, ele obteve documentos como carteira de habilitação, título de eleitor e passaporte, o que lhe permitiu cursar universidades nos EUA e na Irlanda. Um inquérito por espionagem no Brasil foi arquivado, mas ele foi condenado a 15 anos por falsidade ideológica, pena posteriormente reduzida para cinco anos. Inicialmente preso em São Paulo, foi transferido para uma unidade federal em Brasília.