EUA: Brasil critica "grosseira e arrogante" fala de Rubio sobre tarifaço

Brasil critica declarações de Marco Rubio sobre tarifas americanas, aponta motivação política e promete retaliação via OMC.

EUA: Brasil critica "grosseira e arrogante" fala de Rubio sobre tarifaço

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, criticou veementemente as declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que acusou o Brasil de "não negociar de boa-fé" e atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "forma grosseira e arrogante". Vieira classificou as falas de Rubio como "inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao governo brasileiros".

## Motivação Política e Histórico de Negociações

Vieira relembrou que, segundo ele, a aplicação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos EUA possui "expressa motivação política". Como exemplo, citou uma carta do ex-presidente Donald Trump em julho de 2025, que, segundo o ministro, elevou tarifas de 10% para 50% após uma ameaça de interferência no Judiciário brasileiro, ligada a um processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. O ministro das Relações Exteriores afirmou que o governo brasileiro sempre buscou o diálogo e realizou mais de 30 reuniões, virtuais e presenciais, com autoridades americanas desde março de 2025, incluindo encontros em níveis presidencial e ministerial.

## Contestações aos Argumentos dos EUA

O chanceler contestou os argumentos apresentados por Washington para justificar a tarifa, classificando a investigação conduzida pelos EUA com base na Seção 301 como um procedimento unilateral. Ele refutou as acusações de "má-fé" por parte do Brasil e a alegação de "competição desleal" gerada pelo Pix, destacando que a infraestrutura de pagamentos é pública e acessível a todas as instituições financeiras. Sobre as críticas ambientais, Vieira as considerou "absurdas", afirmando que o Brasil reduziu significativamente o desmatamento da Amazônia e do Cerrado desde 2022.

## Reação Brasileira e Próximos Passos

A nota oficial do governo brasileiro, divulgada após o anúncio das tarifas, classificou a decisão americana como "unilateral, ilegal e arbitrária", marcando o dia 15 de julho como um "marco lastimável" nas relações bilaterais. O Planalto informou que iniciará os trâmites para acionar instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade e retomará o tema no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).