Escassez de Talentos Atinge 80% das Empresas no Brasil

Pesquisa revela que 80% das empresas brasileiras sofrem com escassez de mão de obra qualificada. SP lidera dificuldades, com construção civil e tecnologia entre os mais afetados.

Escassez de Talentos Atinge 80% das Empresas no Brasil

Oito em cada dez empregadores brasileiros enfrentam dificuldades para encontrar os profissionais necessários, conforme revela a Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026, realizada pelo Manpower Group. O levantamento, que consultou 39.063 empregadores em 41 países, indica que o percentual, embora com uma leve queda em relação ao ano anterior (81%), permanece em um patamar elevado desde 2022, quando o índice saltou de 52% para 81%. A média global de empregadores com dificuldades de contratação é de 72%. A escassez de mão de obra qualificada se agrava com o aumento do porte das empresas. Enquanto companhias com menos de dez funcionários registram 72% de dificuldade, o índice chega a 90% em empresas com 1.000 a 4.999 colaboradores. As maiores corporações, com mais de 5.000 funcionários, também sentem o impacto, com 83% reportando problemas.

No cenário regional brasileiro, São Paulo lidera a lista de estados com maior dificuldade de contratação, apresentando 88% dos empregadores com problemas. Minas Gerais aparece em seguida com 85%, seguido pelo Rio de Janeiro com 80%. A cidade de São Paulo registra 79% de dificuldade, enquanto outras regiões do país somadas totalizam 77%. O Paraná fecha a lista regional com 74%.

Os setores mais afetados pela falta de profissionais qualificados são os de serviços profissionais, científicos e técnicos, com 85% dos contratantes relatando desafios. O setor de informação também enfrenta sérias dificuldades, com 83% dos empregadores sentindo a carência de mão de obra. Comércio e logística, hospitalidade, manufatura, serviços públicos e recursos naturais registram índices de 79%.

A construção civil, um dos setores que mais empregam no país, também sofre com a escassez, especialmente entre os jovens. Especialistas apontam que o desinteresse pela área se deve a uma combinação de fatores, incluindo a percepção negativa do trabalho braçal, a falta de perspectivas claras de ascensão profissional e a forte concorrência com setores mais atraentes e visíveis, como tecnologia, varejo e aplicativos.