Céus Abertos na América do Sul: Novo Acordo Aéreo Começa em Um Ano

Acordo de 'céus abertos' entre Brasil e países sul-americanos permitirá voos internacionais mais livres e abrirá caminho para cabotagem aérea no Brasil em 12 meses.

Céus Abertos na América do Sul: Novo Acordo Aéreo Começa em Um Ano

O Brasil e outros países sul-americanos darão um passo significativo em direção à liberalização do transporte aéreo regional. Um novo acordo de 'céus abertos' entre Brasil, Argentina e Paraguai foi assinado em Assunção, com o objetivo de permitir maior liberdade para as companhias aéreas operarem voos internacionais entre essas nações e, futuramente, rotas de cabotagem dentro do território brasileiro.

## Ampliação da Liberdade Aérea

A iniciativa prevê que empresas aéreas de países signatários, como Argentina, Paraguai, Chile e Uruguai, poderão realizar voos entre si sem a obrigatoriedade de fazer escala em seus países de origem. Por exemplo, uma companhia aérea argentina poderá operar uma rota direta entre Brasil e Paraguai. Essa mudança, que deve entrar em vigor em aproximadamente 12 meses, visa facilitar a conectividade e a oferta de serviços aéreos na região. Uma portaria recente do Ministério de Portos e Aeroportos já autoriza a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a flexibilizar as regras atuais.

Chile e Uruguai já demonstraram interesse em aderir ao acordo e devem formalizar sua participação em breve. A política de 'céus abertos' é considerada o primeiro passo para a implementação da cabotagem aérea no Brasil, que permitirá a empresas estrangeiras o transporte de passageiros entre cidades brasileiras. Um memorando de entendimento sobre este tema também foi assinado, com a adesão prevista de Uruguai e Bolívia.

## Cabotagem e Competição Saudável

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, explicou que a cabotagem permitirá que aeronaves estrangeiras, ao pousarem em uma cidade brasileira, possam desembarcar e embarcar passageiros com destino a outra cidade dentro do país, algo que atualmente não é permitido. Essa medida é vista como benéfica para aumentar o número de voos locais, promover a sustentabilidade das rotas internacionais e gerar receita adicional para trechos como Belém-Manaus. A expectativa é que a medida fortaleça as companhias aéreas e incentive a concorrência.

Para viabilizar o processo, um grupo de trabalho será formado, incluindo representantes de agências reguladoras, autoridades de aviação civil, companhias aéreas e o Ministério da Fazenda. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) prestará consultoria ao grupo. O objetivo é construir um mercado único, analisando regras de segurança, certificação de aeronaves e legislação trabalhista. O ministro ressaltou a importância de garantir uma competição saudável, sem assimetrias, e com o cumprimento do Código de Defesa do Consumidor brasileiro.

A liberalização do mercado aéreo promete ampliar a conectividade no Brasil, que atualmente conta com cerca de 130 cidades ligadas por voos regulares. A maior concorrência pode resultar em melhores preços e serviços para os consumidores, além de abrir novas oportunidades para as companhias aéreas brasileiras expandirem sua atuação em mercados internacionais.