Casal homoafetivo do Acre realiza sonho da maternidade com adoção

Casal homoafetivo do Acre adota Luís Antônio após nove meses de espera. Bebê chegou aos 15 dias de vida, viabilizado por entrega voluntária. Decisão conjunta de Manueli e Francisca Rarianne celebra a maternidade.

Casal homoafetivo do Acre realiza sonho da maternidade com adoção

## Um Novo Lar Cheio de Amor

Manueli Lima e Francisca Rarianne, um casal homoafetivo do Acre, celebraram a chegada de seu primeiro filho, Luís Antônio, após um período de nove meses de espera. A notícia, divulgada pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), narra a jornada emocionante das duas mães em busca da realização do sonho de formar uma família através da adoção. Luís Antônio foi adotado quando tinha apenas 15 dias de vida, e para o casal, ele representa a "luz das nossas vidas" e a "certeza de que a nossa escolha foi a melhor decisão".

## A Escolha pela Adoção e a Surpresa na Espera

Com seis anos de relacionamento, Manueli e Rarianne sempre consideraram a adoção como o caminho para a maternidade. "Nunca pensei em ter um filho por via natural. Sempre achei que se fosse mãe, seria dessa forma: pela adoção", relatou Manueli. A decisão de adotar foi um consenso entre as duas, que descartaram a inseminação artificial como plano principal. Ao se inscreverem no Cadastro Nacional de Adoção, elas definiram o perfil de um menino com até seis meses de idade e, segundo as expectativas, previam uma espera de cinco a seis anos. "A gente ficou exatamente nove meses na fila", surpreendeu-se Manueli, descrevendo a ansiedade e os momentos de compra de enxoval durante o período.

## Entrega Voluntária Facilita Adoção

O contato da Justiça chegou de forma inesperada, quando o casal estava a caminho do trabalho. A 2ª Vara da Infância e Juventude informou sobre a disponibilidade de um bebê com cerca de sete dias e perguntou sobre o interesse. A rapidez do processo foi possível porque Luís Antônio veio de uma entrega voluntária. Manueli fez um apelo para que gestantes que consideram essa opção procurem a Justiça. "Acho que essa mensagem é importante: Ao invés de só abandonar, só deixar por aí. A Justiça tem um programa tão bom, um acompanhamento tão bacana. Façam a doação! Entreguem voluntariamente, porque tem muita gente na fila que quer um bebezinho. Tem tanto amor esperando uma criança", enfatizou.

A entrega voluntária, amparada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, é um ato de responsabilidade da gestante e não configura crime, diferentemente do abandono de incapaz. A legislação brasileira não impõe barreiras de gênero para a adoção, permitindo que casais homoafetivos formem famílias legalmente reconhecidas. No Acre, em 2025, foram registradas 28 adoções, sendo quatro delas por casais homoafetivos.