Cacique Khuiusi Suyá morre aos 80 anos; Raoni lamenta perda

Cacique Khuiusi Suyá, sobrinho de Raoni, morre aos 80 anos após longa luta por direitos indígenas. Raoni segue internado em SP.

Cacique Khuiusi Suyá morre aos 80 anos; Raoni lamenta perda

O cacique Khuiusi Suyá, uma figura proeminente na luta pelos direitos indígenas e sobrinho do renomado cacique Raoni Metuktire, faleceu aos 80 anos. Sua morte, ocorrida nesta sexta-feira (3), foi lamentada pela aldeia Khĩsêtjê, que destacou a trajetória do líder na defesa incansável do território, da cultura e dos direitos de seu povo.

O Instituto Raoni ressaltou a forte ligação entre Khuiusi Suyá e o cacique Raoni Metuktire, que caminharam juntos em diversas frentes de atuação em defesa dos povos indígenas. Raoni considerava Khuiusi como um sobrinho, em uma relação marcada por profundo respeito, afeto, parentesco e um compromisso inabalável com a causa indígena.

Khuiusi Suyá foi reconhecido por liderar mobilizações significativas pela recuperação do território tradicional dos Khĩsêtjê, especialmente diante do avanço da agropecuária na bacia do rio Suiá-Miçu. Seu legado é descrito como uma inspiração contínua para as novas gerações na preservação de suas terras, tradições e direitos.

Enquanto o mundo indígena lamenta a perda de Khuiusi Suyá, o cacique Raoni Metuktire, com cerca de 93 anos, continua internado no Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), desde 19 de junho. Ele está sob cuidados intensivos de uma equipe especializada em saúde indígena. Raoni, uma das lideranças mais importantes do século, pertence ao povo Mebêngôkre (Kayapó) e seu povo habita terras indígenas entre o norte de Mato Grosso e o sul do Pará.

Recentemente, o neto de Raoni, Takakpe Tapayuna Mẽtyktire, concedeu entrevista onde falou sobre as preocupações antigas e atuais do avô, e sobre o legado que ele pretende deixar, incluindo o livro "Memórias do Cacique", que narra sua trajetória em primeira pessoa.