Brasil rebate acusações dos EUA sobre tarifaço em produtos nacionais

Brasil rebate declarações de Marco Rubio sobre tarifaço, classificando-as como ofensivas e sem base na realidade. O país anuncia medidas de reciprocidade e acionamento na OMC contra a decisão dos EUA.

Brasil rebate acusações dos EUA sobre tarifaço em produtos nacionais

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reagiu veementemente às declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "não negociar de boa-fé" e de "colocar seu próprio ego à frente de um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro" após a imposição de um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros.

Vieira considerou as afirmações de Rubio "inaceitáveis e ofensivas", classificando-as como "grosseiras e arrogantes" ataques ao chefe de Estado de um país amigo. Segundo o chanceler, o que incomoda os Estados Unidos é a recusa do Brasil em "curvar-se às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis" apresentadas durante as negociações, que incluíam a exigência de "abertura total, irrestrita e exclusiva" de setores da economia brasileira sem contrapartida.

## Rebatendo Justificativas dos EUA

O governo americano utilizou questionamentos sobre o Pix, regulação de plataformas digitais, mercado de etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento ilegal para justificar o novo tarifaço. No entanto, Mauro Vieira afirmou que todas essas alegações "não têm lastro na realidade". Ele destacou que as investigações da Seção 301 são procedimentos unilaterais dos EUA, sem justificativa para a adoção de tarifas contra produtos brasileiros.

O ministro também rebateu as críticas relacionadas ao Pix, definindo-o como uma infraestrutura pública de pagamentos acessível a todas as instituições financeiras no Brasil, e classificou as acusações sobre desmatamento como "absurdas", citando a redução significativa da devastação na Amazônia e no Cerrado desde 2022.

## Reação Brasileira e Próximos Passos

O governo brasileiro, por meio de nota, classificou a decisão americana como "unilateral, ilegal e arbitrária", um "marco lastimável" nas relações bilaterais. O Brasil anunciou que iniciará imediatamente os trâmites para acionar instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional.

Além disso, o país retomará o tema no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). A reação brasileira se organizará em três frentes: diversificação de mercados, com prioridade para acordos como o do Mercosul com a União Europeia; medidas de socorro às empresas afetadas pelo Plano Brasil Soberano; e o acionamento da Lei da Reciprocidade Econômica. O governo também destacou o superávit de bens e serviços dos EUA com o Brasil nos últimos 15 anos (US$ 424,5 bilhões) e a baixa alíquota média de imposto de importação aplicada sobre produtos norte-americanos.