Aliados dos EUA aceleram produção de mísseis na Ásia-Pacífico

Austrália e Japão intensificam produção própria de mísseis para suprir demandas de defesa, diante de atrasos nos EUA e tensões na Ásia-Pacífico.

Aliados dos EUA aceleram produção de mísseis na Ásia-Pacífico

Diante de um cenário de crescentes tensões geopolíticas na Ásia-Pacífico e preocupações com a capacidade de suprimento dos Estados Unidos, aliados como Austrália e Japão intensificam seus esforços para desenvolver e produzir localmente armamentos avançados, especialmente mísseis.

Um marco recente foi o primeiro lançamento, em abril, de um míssil GMLRS (Sistema de Foguetes de Lançamento Múltiplo Guiado) fabricado em solo australiano em décadas. O projétil, montado em uma fábrica da Lockheed Martin na Austrália do Sul, representa um avanço na capacidade soberana de armas guiadas do país. A Austrália se torna, assim, o único país fora dos EUA a fabricar este tipo de míssil.

## Gargalos na Produção Americana

A movimentação regional é motivada, em grande parte, pelos atrasos na entrega de sistemas de armas encomendados aos Estados Unidos. A indústria bélica americana enfrenta dificuldades em cumprir as metas de produção, um problema agravado pelo uso intensivo de armamentos em conflitos recentes, como no Oriente Médio e na Ucrânia, além do desvio de suprimentos para Israel. A recomposição de estoques tem sido um foco principal para os EUA.

Tom Corben, pesquisador de defesa da Universidade de Sydney, alertou que os próximos anos podem ser mais perigosos devido à falta de soluções industriais de curto prazo para suprir as demandas estratégicas e operacionais na Ásia. Ele ressalta a ausência de fontes alternativas de armas de longo alcance para uma eventual coalizão contra a China, em caso de conflito em Taiwan ou no Mar do Sul da China.

O ministro da Indústria de Defesa da Austrália, Pat Conroy, embora evite confirmar atrasos, reconheceu a pressão sobre o complexo industrial americano. A entrega de mísseis de longo alcance Tomahawk, por exemplo, está sob forte escrutínio: os EUA produziram cerca de 90 unidades por ano, enquanto dispararam mais de mil contra o Irã. A Austrália aguarda 220 unidades, e o Japão, 400, com atrasos já reportados.

## Cooperação e Projetos Nativos

Assim como a Austrália, o Japão tem investido na produção doméstica em cooperação com empresas americanas. Projetos incluem a fabricação sob licença de mísseis como o Patriot e o desenvolvimento conjunto de novas tecnologias, como o Interceptador de Fase de Planeio (GPI), projetado para abater mísseis hipersônicos. No entanto, a produção local enfrenta desafios, como a falta de componentes essenciais, exemplificada pela produção limitada de interceptadores Patriot pela Mitsubishi Heavy devido a problemas no fornecimento de sistemas de guia pela Boeing.

Para garantir suprimentos adequados, o Japão busca fortalecer sua indústria nacional e manter importações confiáveis dos EUA, o que pode exigir flexibilização nas regras de transferência de tecnologia. Paralelamente, aliados como o Japão, Coreia do Sul e Taiwan desenvolvem projetos inteiramente nativos, liderados por agências de defesa e institutos de ciência e tecnologia, cujos modelos são posteriormente repassados a fabricantes locais.