USDA prevê menos carne bovina e preços em alta globalmente

USDA prevê menor produção de carne bovina nos EUA, elevando preços do boi gordo e impactando o comércio internacional. Brasil pode enfrentar maior concorrência.

USDA prevê menos carne bovina e preços em alta globalmente

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou um relatório que projeta uma redução na oferta de carne bovina norte-americana para os anos de 2026 e 2027. Essa diminuição na produção, estimada em aproximadamente 11,47 milhões de toneladas para 2026 e 11,43 milhões de toneladas para 2027, representa uma queda significativa em relação aos volumes anteriores e tem como causa principal o menor ritmo de abate de animais confinados, além da retenção de matrizes para a recomposição do rebanho. O abate de vacas de corte, em particular, atingiu o menor patamar desde 2015.

## Impacto nos Preços e Comércio

Com a oferta de carne bovina mais restrita, o USDA elevou suas projeções para os preços do boi gordo nos Estados Unidos. A expectativa é que a arroba atinja valores recordes nos próximos meses, com estimativas para 2026 e 2027 em torno de US$ 83,72 e US$ 84,77, respectivamente. Em termos brasileiros, considerando o câmbio e rendimento de carcaça, isso se traduz em valores significativamente mais altos. Essa valorização da arroba norte-americana também se reflete nos animais de reposição, que também devem seguir em alta. Embora o número total de animais em confinamento permaneça elevado, a redução nas entradas líquidas e nos envios para abate em maio sinalizam uma disponibilidade limitada de bovinos para os próximos meses.

## Desafios para o Agronegócio Brasileiro

O relatório do USDA também aponta para uma ligeira redução nas estimativas de comércio internacional de carne bovina. As exportações norte-americanas, embora tenham retornado a patamares mais estáveis em alguns mercados como Hong Kong e Taiwan, registraram quedas expressivas em destinos importantes como China, Japão, Coreia do Sul, México e Canadá. Essa dinâmica global, aliada a fatores de risco como a seca que afeta 46% do rebanho bovino dos EUA e a confirmação de casos de mosca-da-bicheira no Texas, pode intensificar a concorrência para a carne bovina brasileira no mercado internacional, pressionando os preços e exigindo estratégias adaptadas para manter a competitividade.