UE rejeita restrição à soja brasileira em votação crucial
Parlamento Europeu rejeita proposta que restringiria importações de soja brasileira. Decisão alivia agronegócio nacional e protege comércio bilionário com a União Europeia.

O Parlamento Europeu, através de seu Comitê da Indústria, Pesquisa e Energia (ITRE), aprovou uma moção que se opõe a uma proposta de restrição ao uso da soja no continente. A decisão, celebrada por entidades produtoras de soja do Brasil, Argentina e Europa, representa um alívio significativo para as exportações brasileiras, que em 2025 atingiram seis milhões de toneladas enviadas para o bloco europeu.
A proposta rejeitada, originada da Comissão Europeia, visava limitar o uso de biocombustíveis derivados da soja para que os países da União Europeia (UE) pudessem cumprir suas metas de energia limpa até 2030. A estratégia da UE incluía a preferência por biocombustíveis de segunda geração, feitos a partir de resíduos, com o objetivo de evitar o desmatamento associado ao cultivo de matérias-primas como a soja e a palma. O temor era que a expansão dessas culturas levasse à derrubada de árvores, aumentando a emissão de CO2 e agravando a crise climática, um fenômeno conhecido como Mudança Indireta do Uso do Solo (Iluc).
O comércio de soja e seus derivados entre o Mercosul e a UE movimentou cerca de R$ 50 bilhões (US$ 8,5 bilhões) no ano passado. As exportações brasileiras de produtos de soja para a UE superaram US$ 6 bilhões em 2025, segundo o Ministério da Defesa, Indústria e Comércio Exterior. Os Estados Unidos também são um grande exportador para o bloco, com cerca de seis milhões de toneladas anuais.
A medida rejeitada não significava uma proibição direta, mas poderia inibir as importações de soja e biodiesel. Produtores temiam um cenário semelhante ao do óleo de palma, cujas importações pela UE caíram 38% após sua inclusão em listas de desincentivo. André Nassar, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), destacou a importância da decisão, que também protege a indústria alimentícia, que utiliza óleo de soja.
A decisão do comitê europeu considerou o potencial prejuízo aos produtores do continente, incluindo o impacto na alimentação animal, onde o farelo de soja é amplamente utilizado como ração. A Abiove ressaltou que a votação favorece a "coerência regulatória e a previsibilidade nas relações comerciais", evitando medidas "de alto potencial discriminatório". O Brasil é um exportador expressivo de soja (seis milhões de toneladas) e farelo de soja (10,9 milhões de toneladas) para a UE.
Oito associações europeias, representando agricultores, produtores e comerciantes de grãos, celebraram a votação como um sinal de apoio a políticas baseadas em evidências e à coerência entre os objetivos da UE em energias renováveis, agricultura e segurança alimentar. Gustavo Idigoras, da Câmara Argentina da Indústria de Óleos Vegetais (Ciara) e do Centro de Exportadores de Cereais (CEC), também comemorou o resultado, fruto de um esforço diplomático e de diálogo com as instituições europeias.