Tecnologia e IA garantem produção de papel higiênico
Empresas de celulose usam IA, satélites e controle biológico para proteger plantações de eucalipto contra secas, incêndios e pragas, assegurando a produção de papel higiênico e outros derivados.

A produção de itens essenciais do cotidiano, como o papel higiênico, está cada vez mais amparada por tecnologias avançadas. Empresas do setor de celulose, matéria-prima para papéis sanitários, de imprimir e embalagens, têm investido maciçamente em ferramentas digitais para mitigar os impactos de secas, incêndios e pragas nas plantações de eucalipto, essenciais para manter a cadeia produtiva.
## Inovações para a Resiliência Florestal
Diante do cenário de mudanças climáticas, que intensifica eventos como secas severas, aumento de pragas e incêndios florestais, a oferta de madeira tem sido ameaçada. Em resposta, o setor de celulose tem adotado um manejo florestal cada vez mais digitalizado. Na Suzano, maior produtora mundial de celulose, a estratégia para garantir a produção se baseia em três pilares: disciplina operacional, desenvolvimento de materiais genéticos avançados e tecnologia aplicada ao manejo. A empresa incorpora anualmente clones de eucalipto mais produtivos e resilientes, adaptados às condições específicas de cada região onde atua. Com um banco genético de mais de 30 mil materiais, a Suzano cultiva cerca de 170 clones em seus 1,7 milhão de hectares de eucalipto, buscando árvores mais resistentes à estiagem, altas temperaturas e a novas pragas.
## Inteligência Artificial e Controle Biológico
A inteligência artificial desempenha um papel crucial na prevenção de problemas. Por meio de imagens de satélite, algoritmos e extensas bases de dados, é possível identificar precocemente alterações no desenvolvimento das árvores, sinais de estresse hídrico, focos iniciais de pragas e áreas com maior risco de incêndio. Essa capacidade preditiva permite transitar de uma atuação reativa para uma proativa, antecipando e agindo antes que anomalias se desenvolvam. Em 2024, a Suzano registrou uma redução de 61% nos incêndios em suas áreas de plantio, utilizando 133 torres com câmeras inteligentes e cruzando dados com imagens de satélite para prever áreas de risco.
Além disso, o controle biológico de pragas tem se mostrado uma alternativa eficaz aos inseticidas químicos. A empresa desenvolve e libera em laboratório organismos que combatem espécies nocivas ao eucalipto. Em 2024, mais de 340 milhões desses agentes biológicos foram distribuídos em aproximadamente 500 mil hectares, resultando na redução de cerca de 17,1 mil quilos no consumo de inseticidas químicos. Em algumas localidades, a joaninha Olla v-nigrum eliminou por completo a necessidade de aplicações químicas.
O monitoramento em tempo real dentro das florestas complementa essas ações. Sensores instalados nos troncos medem o consumo de água, o crescimento das plantas e a captura de carbono. Esses dados, combinados com imagens de satélite e análise por inteligência artificial, orientam as decisões de manejo e otimizam a produtividade florestal. A digitalização e o uso de dados e IA são vistos como fundamentais para elevar a eficiência operacional, reduzir riscos e aumentar a resiliência das florestas, garantindo o suprimento da matéria-prima para a produção de papéis e embalagens.