Soja paraguaia mira safra recorde; milho enfrenta desafios climáticos

Paraguai registra projeção de safra recorde de soja para 2025/26, impulsionando o mercado brasileiro. Contudo, o milho safrinha enfrenta riscos climáticos que afetam a qualidade dos grãos.

Soja paraguaia mira safra recorde; milho enfrenta desafios climáticos

O Paraguai projeta encerrar o ciclo agrícola 2025/26 com um marco histórico: a maior safra de soja já registrada em sua história. Paralelamente, a cultura do milho safrinha entra em um período crítico, com preocupações crescentes sobre a qualidade dos grãos devido a condições climáticas desfavoráveis.

Um relatório recente da StoneX manteve a estimativa de produção de soja do país em 12,34 milhões de toneladas, considerando tanto a safra principal quanto a safrinha. Para o milho, a projeção de produção se mantém em 5,31 milhões de toneladas, mas o foco agora se volta para os desafios que afetam a qualidade.

## Influência no Mercado Brasileiro

O ciclo agrícola paraguaio possui forte influência nas decisões do mercado brasileiro. Isso se deve, em grande parte, à presença de "brasiguaios", agricultores brasileiros que expandem suas operações de grãos para o Paraguai, atuando como uma extensão de suas lavouras no Brasil. Além disso, o Paraguai é um dos maiores fornecedores de soja para o Brasil, suprindo demandas em regiões de fronteira e indústrias de processamento de óleo, muitas vezes por um custo-benefício mais vantajoso do que o transporte de grãos de outras regiões brasileiras.

## Desempenho da Soja

A soja paraguaia tem apresentado um desempenho robusto. A safra principal é estimada em 10,94 milhões de toneladas, e a safrinha em 1,40 milhão de toneladas. A comercialização da produção segue em ritmo acelerado, com cerca de 90% já negociada, demonstrando o dinamismo do agronegócio no país vizinho e reforçando o papel estratégico do Paraguai no abastecimento regional.

A área total destinada à soja no ciclo 2025/26 abrange 3,72 milhões de hectares, com destaque para os polos produtores de Alto Paraná, Itapúa, Canindeyú e Caaguazú. O avanço desta safra recorde e a agilidade nas vendas fortalecem a oferta exportável paraguaia em um cenário global competitivo.

## Desafios para o Milho

No caso do milho, a atenção se volta para o segundo semestre, com o risco de perdas de qualidade impactando os preços recebidos pelos produtores. Apesar de as primeiras colheitas terem apresentado resultados produtivos satisfatórios, a combinação de chuvas frequentes, alta umidade do ar, menor incidência de luz solar e baixas temperaturas tem favorecido o desenvolvimento de doenças que comprometem a qualidade dos grãos. A preocupação principal não é com uma quebra expressiva de volume, mas sim com o aumento de lotes de milho danificados, o que pode gerar descontos na entrega às indústrias.

O atraso na colheita também é um fator relevante. Chuvas previstas para o início de julho podem dificultar a secagem natural do milho e estender o período de colheita, que agora pode avançar até o início de agosto. No mercado, a comercialização do milho tem sido lenta, com os preços atualmente em torno de US$ 140 por tonelada, sujeitos a flutuações conforme a oferta se intensificar.