Soja: China retoma compras dos EUA, mas Brasil mantém liderança
China retoma compras de soja dos EUA, mas Brasil mantém liderança em exportações devido à competitividade. Analistas alertam para riscos climáticos nos EUA e cautela com acordos bilaterais.

A China tem aumentado suas aquisições de soja dos Estados Unidos, um movimento interpretado como um sinal de retomada dos compromissos comerciais firmados entre as duas nações. No entanto, analistas de mercado apontam que a soja brasileira continua a ter uma vantagem competitiva em termos de preço, enquanto a demanda pelos EUA é influenciada pela sazonalidade da oferta global. A reaproximação comercial entre EUA e China, impulsionada por acordos para compras de soja até 2028, sustenta essa tendência.
Dados oficiais chineses revelaram que, em junho, o país importou 13,554 milhões de toneladas de soja, o maior volume para o mês e um aumento de 10,3% em comparação com junho de 2025. Apesar do forte desempenho em junho, o total acumulado no primeiro semestre registrou um avanço modesto de 1,6%, somando 50,202 milhões de toneladas, indicando que o ritmo anual de importações não foi drasticamente alterado.
## Brasil Lidera Exportações
O Brasil continua sendo o principal fornecedor de soja para a China. Em junho, o país asiático recebeu 12,075 milhões de toneladas de soja brasileira, representando quase 90% das importações totais do mês. A diferença entre os dados chineses e os registrados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Brasil se deve ao tempo de trânsito das cargas, que pode exceder 40 dias entre o embarque e a descarga.
As projeções para julho indicam exportações brasileiras de aproximadamente 13,15 milhões de toneladas, com cerca de 9,23 milhões destinadas à China. A consultoria Royal Rural prevê que os embarques permaneçam elevados em agosto, como resultado de negócios fechados nos meses anteriores. Essa robustez nas exportações brasileiras se mantém mesmo com a retomada das compras chinesas de soja norte-americana.
## Retomada das Compras Americanas e Cautela
Em junho, a China adquiriu 1,26 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos, um volume menor que as 1,59 milhão de toneladas de junho de 2025, mas que sinaliza a retomada das compras para a nova safra americana. A consultoria Royal Rural reportou que já foram adquiridas pelo menos 1,25 milhão de toneladas de soja dos EUA para embarques a partir de setembro, marcando o início da transição das compras brasileiras para a safra norte-americana. Este avanço comercial ocorreu após um encontro entre os presidentes chinês e americano, embora a soja não tenha sido tema direto das discussões.
Carlos Cogo, Sócio-Diretor da Cogo Inteligência, avalia que essa retomada é pontual e expressa cautela quanto ao cumprimento do anúncio chinês de comprar cerca de 25 milhões de toneladas anuais de soja até 2028. Ele destaca que o intervalo entre anúncios de vendas, embarques e chegada da mercadoria aos portos chineses pode ser considerável.
## Impacto Climático e Perspectivas Futuras
A produção norte-americana, com aumento de área cultivada e produção, tende a aliviar preocupações imediatas sobre a disponibilidade global de soja. Contudo, o mercado permanece vulnerável às condições climáticas nos EUA durante julho e agosto, período crucial para o enchimento dos grãos. Qualquer deterioração climática significativa pode alterar as estimativas de produtividade e o equilíbrio entre oferta e demanda. Para o segundo semestre, a oferta global de soja é esperada como mais confortável, com previsões do USDA indicando boas safras nos EUA. O cenário favorece as vendas para a China e o abastecimento de curto prazo, mas o risco climático representa um fator de incerteza para o desenvolvimento das lavouras americanas.