Safra de Milho no Brasil Avança e Clima nos EUA Define Preços

Colheita de milho avança no Brasil com safra robusta, enquanto o mercado direciona atenção ao clima nos EUA, que definirá os preços internacionais do cereal. Aumento de custos de produção é alerta para próximo ciclo.

Safra de Milho no Brasil Avança e Clima nos EUA Define Preços

## Colheita Brasileira em Ritmo Acelerado

A colheita da segunda safra de milho no Brasil segue em ritmo acelerado, confirmando as expectativas de uma produção robusta para o ciclo 2025/26. Com a oferta nacional praticamente garantida, o foco do mercado internacional começa a se voltar para o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos, etapa crucial que influenciará os preços globais do cereal nas próximas semanas.

No Paraná, os trabalhos de colheita já alcançaram 29% da área cultivada, com a maioria das lavouras (81%) em boas condições. A previsão é de uma produção de 17,6 milhões de toneladas. Embora chuvas pontuais possam desacelerar temporariamente o ritmo, a expectativa é de retomada das operações com o retorno do sol. O analista Edmar Gervásio, do Deral, ressalta que os custos ligeiramente inferiores neste ciclo contribuem para um melhor resultado econômico dos produtores.

Mato Grosso, o maior produtor nacional, já colheu 78,9% de sua área. Apesar de um ligeiro atraso em comparação com anos anteriores, atribuído a condições climáticas atípicas, o potencial produtivo não é comprometido. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta um novo recorde de produtividade no estado, com uma produção estimada em 57 milhões de toneladas, um aumento de 2,9% em relação ao ciclo anterior.

## Influência Externa e Custos Crescentes

Apesar do desempenho positivo da safra brasileira, há um alerta para o aumento dos custos de produção no próximo ciclo agrícola. Sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas já impactam o planejamento dos produtores, com as cotações da saca de milho girando em torno de R$ 65,55, segundo o Cepea Esalq/USP. Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros para dezembro foram cotados a US$ 4,87 por bushel.

Com a safra sul-americana consolidada, o mercado observa atentamente o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos. A consultoria StoneX aponta que a combinação de safras recordes na América do Sul e o bom desenvolvimento nos EUA mantém o mercado abastecido, com uma perspectiva neutra a baixista para os preços no curto prazo. No entanto, o clima é o principal fator de risco, com potencial impacto de eventos como o El Niño.

## Perspectivas Futuras e Riscos Climáticos

Dados do USDA indicam que 59% das lavouras americanas já estão na fase de polinização, decisiva para a produtividade. As previsões apontam para temperaturas acima da média e chuvas abaixo do normal em partes do Corn Belt, a principal região produtora de milho dos EUA. A longo prazo, a StoneX prevê que preços deprimidos e custos elevados podem levar a uma redução na área de cultivo de milho na América do Sul em 2027, favorecendo outras culturas como soja e algodão.

O mercado internacional também monitora a produção chinesa, pois um eventual impacto na safra asiática poderia aumentar suas importações e sustentar as cotações globais. A evolução climática nos EUA será o principal driver para definir o comportamento dos preços do milho nas próximas semanas, com os produtores brasileiros atentos a esses movimentos para planejar suas estratégias de comercialização.