Rede de Jornalistas Pretos abre inscrições para formação em cibersegurança
Rede de Jornalistas Pretos lança segunda edição da Repcone, oferecendo formação gratuita em cibersegurança para mulheres negras, indígenas e quilombolas na América Latina. Inscrições abertas até 5 de agosto.

A Rede de Jornalistas Pretos (Rede JP) abriu as inscrições para a segunda edição da Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (Repcone), um programa de formação gratuita em cibersegurança, apoio psicossocial e orientação jurídica. O objetivo é proteger, formar e articular mulheres negras, indígenas e quilombolas da América Latina contra a violência digital. O período de inscrições se estende até 5 de agosto e coincide com as celebrações do Mês Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.
## Ampliação e Diversidade da Rede
A coordenadora geral da Rede JP, Marcelle Chagas, expressou a expectativa de ampliar o alcance da Repcone, garantindo que a oportunidade chegue a comunicadoras e lideranças negras de diversas regiões e territórios. "Fortalecendo uma rede cada vez mais diversa e conectada", afirmou Chagas. A iniciativa também busca aprofundar discussões sobre o contexto político atual no Brasil e na América Latina, reconhecendo que o ambiente digital se tornou um espaço complexo e, por vezes, nocivo para mulheres negras em posições de visibilidade pública.
## Formação e Prioridades da Seleção
A formação da Repcone visa fortalecer a capacidade de proteção, resposta e resiliência de mulheres em visibilidade pública diante de ameaças digitais, violência online e campanhas de desinformação. A seleção priorizará mulheres que atuam em contextos de invisibilidade estrutural e de maior risco em razão de sua atuação pública. A edição de 2026 não se destina exclusivamente a jornalistas e comunicadoras, mas também a mulheres em posições de liderança comunitária, institucional ou organizacional no Brasil e na América Latina que estejam expostas a riscos de segurança digital. Serão priorizadas mulheres negras (pretas e pardas), indígenas e pertencentes a povos e comunidades tradicionais.
## Estrutura do Programa e Novas Ferramentas
Ao todo, 30 mulheres da América Latina serão selecionadas entre jornalistas, ativistas, lideranças comunitárias e pesquisadoras, buscando espelhar a diversidade de perfis e identidades da região. A formação será estruturada em quatro frentes de atuação integradas, com quatro aulas online abordando segurança digital, proteção de dados, resposta a incidentes e enfrentamento à desinformação, com acessibilidade em Libras e tradução para português e espanhol. Além disso, a iniciativa contará com o lançamento do Latinas IA, um agente digital criado pela Rede JP para oferecer suporte e proteção contra violência digital, assédio e desinformação, funcionando 24 horas por dia.