Preço do Café Dispara com Dúvidas sobre Safra e El Niño

Preços do café arábica e conilon disparam com receios sobre safra brasileira e impactos do El Niño, gerando volatilidade no mercado.

Preço do Café Dispara com Dúvidas sobre Safra e El Niño

As cotações do café, tanto da variedade arábica quanto do conilon, têm registrado seguidas altas nas últimas semanas, impulsionadas por incertezas relacionadas ao clima e à produção. Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros de arábica com vencimento em setembro dispararam 16,1%, alcançando US$ 3,04 por libra-peso. Essa valorização se reflete diretamente no mercado brasileiro, com a saca de 60 quilos de café arábica tipo 6, bebida dura bica corrida, saindo de R$ 1.463,00 para R$ 1.928,00 em um curto período, um aumento de 31,7%. O café conilon tipo 7 também acompanhou a tendência de alta, passando de R$ 880,00 para R$ 1.050,00, com uma valorização de 19,3%.

O principal fator por trás dessa escalada de preços é o receio do mercado em relação aos impactos do fenômeno El Niño sobre a produção agrícola, um cenário que afeta diversas commodities, incluindo café, soja, milho e trigo. No caso específico do café, o maior produtor mundial, a apreensão gira em torno do tamanho da próxima safra. As expectativas iniciais apontavam para uma colheita histórica, mas o cenário começou a mudar com o andamento da colheita do conilon, iniciada em meados de abril.

Segundo operadores do mercado, a safra de conilon, que precede a do arábica, sofreu atrasos e indicou uma certa quebra de produtividade. A expectativa era de que a safra de arábica compensasse e mantivesse os preços do conilon mais baixos, mas a colheita do arábica também está atrasada, intensificando o temor de uma redução na produção geral. "O mercado, diante disso, está se reposicionando", explicou Thomas Giuberti, sócio da Golden Investimentos e um experiente operador de contratos de conilon no país.

Essa combinação de atrasos e quebras de safra, mesmo com armazéns inicialmente cheios e expectativas de uma produção robusta, tem levado o mercado a ajustar suas posições. A incerteza climática e suas consequências diretas na quantidade e qualidade do grão colhido criam um ambiente de volatilidade, com reflexos imediatos nos preços pagos aos produtores e nas cotações internacionais.