Mercado da Carne Bovina: Pressão na Arroba Até Setembro, Mas Cenário é Otimista
Mercado de carne bovina no Brasil enfrenta pressão na arroba até setembro devido à China, mas oferta restrita e cenário externo favorável indicam recuperação no fim de 2026.

O mercado de carne bovina no Brasil atravessa um período de transição, com a pressão sobre o preço da arroba prevista para se estender até meados de setembro. A principal causa dessa volatilidade é a temporária redução no ritmo de compras pela China, maior comprador global da proteína brasileira, que está operando dentro de sua cota de importação atual. Essa dinâmica exige uma redistribuição dos embarques nacionais e tem impactado os preços nas últimas semanas.
## Transição e Fundamentos Positivos
Segundo Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea/Esalq/USP, o setor pecuário brasileiro enfrenta desafios de mercado, mas os fundamentos que sustentam a atividade permanecem positivos. A oferta de animais prontos para o abate continua restrita, um fator crucial que tem ajudado a sustentar os preços. Mesmo com a incerteza gerada pelas negociações internacionais, a menor oferta global de carne bovina, impulsionada pela redução na produção em países como Estados Unidos, Canadá e Austrália, favorece o Brasil no cenário externo.
## Nova Cota Chinesa e Expectativas de Mercado
A expectativa de recuperação do mercado está ligada à nova cota de importação chinesa, prevista para janeiro de 2027. No entanto, a logística de exportação sugere que a demanda por animais terminados começará a aumentar já entre setembro e outubro. Isso ocorre porque os frigoríficos precisam antecipar a compra e o abate dos animais para que a carne chegue aos portos chineses no início do ano. Contratos futuros já indicam uma arroba acima de R$ 360 no final de 2026, sinalizando uma perspectiva mais favorável para o último trimestre do ano.
A oferta restrita de animais terminados é um dos pilares que sustentam a arroba. Muitos pecuaristas reduziram o volume de animais confinados, resultando em escalas de abate mais curtas para os frigoríficos, que operam com médias entre dois e três dias. Essa situação limita a oferta e contribui para a manutenção dos preços, que já apresentaram uma leve alta no final de julho em comparação com o início do mês.