Menor Oferta de Gado Sustenta Preços do Boi no 2º Semestre

Menor oferta de gado no Brasil deve sustentar preços do boi gordo no segundo semestre de 2026, segundo StoneX, apesar da queda nas exportações para a China.

Menor Oferta de Gado Sustenta Preços do Boi no 2º Semestre

A menor disponibilidade de gado no Brasil é apontada como o principal fator que sustentará os preços do boi gordo no segundo semestre de 2026. A consultoria StoneX indica que essa oferta restrita deve mitigar os efeitos da demanda externa enfraquecida sobre as cotações.

Após um primeiro trimestre com abates em alta, a oferta de animais começou a diminuir a partir do segundo trimestre, com o movimento se intensificando em julho. Essa redução já impactou os preços do boi gordo tanto no mercado físico quanto nos contratos futuros. Com menos animais disponíveis, os pecuaristas recuperaram poder de negociação frente à indústria.

## Ciclo Pecuário e Mercado Doméstico

A mudança ocorre em meio à virada do ciclo pecuário, que se caracteriza pela diminuição da oferta de animais após um período de maior disponibilidade. A StoneX observa que a oferta mais escassa eleva o custo da matéria-prima. Paralelamente, o setor precisa gerenciar o escoamento da carne em um cenário de demanda externa volátil. O mercado doméstico, no entanto, permanece firme, e outros destinos para exportação podem surgir, mas a redução de embarques para mercados importantes exige o redirecionamento da produção.

Os meses de agosto, setembro e outubro são esperados como períodos cruciais para os ajustes do mercado. A expectativa é de que a oferta reduzida de animais continue a dar suporte às cotações, enquanto a indústria busca formas de absorver a produção de carne. A dinâmica deste ano pode alterar o comportamento tradicional do mercado no segundo semestre, que geralmente vê maior participação do gado de confinamento entre julho e outubro. Neste ano, a escassez geral de animais ganha mais peso na formação dos preços.

## Cota Chinesa e Estratégias Futuras

A redução significativa no fluxo de carne bovina para a China representa um desafio adicional. Em julho, o Brasil enviou aproximadamente 83 mil toneladas para o país asiático, uma queda de 48% em relação a junho e um recuo similar em comparação com julho de 2025. O volume acumulado entre novembro de 2025 e julho de 2026 ultrapassou a cota estabelecida pela China. O impacto do preenchimento da cota deve ser mais sentido entre agosto e outubro, com possíveis embarques mínimos para a China.

A expectativa é de retomada a partir de novembro, com a contagem para a cota de 2027. A experiência deste ano pode levar a uma consolidação da antecipação de embarques para preencher cotas em anos futuros, alterando a sazonalidade das exportações. Para o segundo semestre de 2026, a oferta restrita de gado deve continuar sendo um ponto chave, ajudando a sustentar as cotações do boi gordo e a amortecer o impacto da queda nos embarques para a China.