EUA reabrem fronteira para gado mexicano após um ano de restrições

EUA retomarão importação de gado do México em 30 dias após um ano de restrição. Medida visava conter mosca-da-bicheira, mas praga já atingiu o Texas. Reabertura será gradual e condicionada a plano de controle.

EUA reabrem fronteira para gado mexicano após um ano de restrições

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou a retomada da importação de gado do México em até 30 dias. A decisão encerra uma restrição imposta há mais de um ano, que visava conter a propagação da mosca-da-bicheira, uma praga que deposita ovos em feridas de animais de sangue quente e pode levar à morte se não tratada.

A proibição das importações teve um impacto direto nos preços da carne bovina nos EUA, que atingiram patamares recordes. A inflação resultante gerou pressão sobre a administração do presidente para encontrar soluções que reduzissem os custos para os consumidores. Paradoxalmente, a medida de segurança não impediu a chegada da mosca ao território americano; em junho, os primeiros casos foram registrados em fazendas no Texas.

## Retomada em Fases e Condicionada

A reabertura da fronteira acontecerá de forma gradual. Inicialmente, um porto de entrada em Douglas, no Arizona, será reativado, seguido pela abertura de mais dois portos no Novo México. O USDA declarou que essa reabertura em fases é considerada segura e está condicionada à adesão do México a um plano rigoroso de controle da bicheira-do-novo-mundo. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, já instruiu autoridades a acelerarem os preparativos para a retomada das exportações, esperada para as últimas semanas de agosto.

## Impactos na Indústria e Preocupações

O fechamento da fronteira forçou uma contração na indústria de carne bovina americana, avaliada em US$ 100 bilhões. O comissário de Agricultura do Texas, Sid Miller, elogiou a decisão, mas expressou preocupação com a desorganização e as incertezas que a paralisação prolongada causou. Ele alertou que, embora a retomada seja positiva, o ritmo da resposta à praga ainda não foi suficiente para a ameaça.

Representantes da indústria, como a presidente e CEO do Meat Institute, Julie Anna Potts, apoiam a reabertura cuidadosa, que equilibre vigilância e confiança nos planos de resposta. No entanto, outros setores, como o de produtores de gado americano, alertam que a abertura contínua da fronteira pode aumentar o risco de novas infestações, incentivando o movimento de gado de áreas onde a praga é endêmica para os Estados Unidos. A escassez de gado americano, agravada por condições de seca e pelo fechamento da fronteira, levou ao fechamento de grandes plantas de processamento de carne bovina nos EUA.